A arma! 
Moisés Correia

Quem cala, não grita
Quem grita, não fala…
Maior grito é o da escrita;
Mata mais que uma bala!

Na surdez ela se instala,
Quem dispara, não faz fita,
Em verdades se resvala
Pela força que a incita.

Desferida de um certo jeito
Atingirá qualquer peito,
Até mesmo, de quem a evita!

Distrai, faz enlouquecer
Fere ou mata este sofrer
Esta arma… a escrita!


Ardentes pensamentos!

Do fogo que pela branda fogueira ardia
Sinto o pulsar de uma chama latente,
Que por iluminar minha noite, se sente
A luz de um sol forte em pleno dia.

Fogachos de ti saltam em noite tardia
Como quem beija, sopro esse calor ardente
Queimando a meus olhos em dor tangente,
Fogo que por ti incendeio em cama fria!

Mas por lareira ser, queima-se em amor,
E a ela, junto meu peito tronco de azinho,
Para que na fina cinza, rescalde sentimentos…


E por aqui ficarei sentindo chamas do teu calor
Sempre que em frias noites me sinta sozinho,
Aqueço-me de ti … em ardentes pensamentos! 



Nada mais fará sentido!


Salgam cristalinas águas em dura rocha
Que por ela em espuma a onda encalha
Nas praias que com beleza se vestem e falha,
Visão a meus olhos, por tanta rareza em costa!

Serpenteiam riachos pelos trilhos das serras,
Que em solo regado por ele raras flores abrotam!
Cores que por paraíso ser, horizontes se esgotam,
Riquezas de um sorriso, respirando primaveras…

Perante tamanha raridade, á beleza grito;
Oh céus e mares de um éden que me entristece!
Porque não estás comigo? …oh mundo perdido!

Mas por não ser este meu grito entendido,
Mesmo que num paraíso seja, me dizer carece;
Castigo meu será… por nada mais fazer sentido!



Amor maldito!


Habito nos teus olhos luz, brilho de encanto!
Respiro das janelas do teu rosto o sorriso
Dos cabelos, soltas o perfume que preciso
Castelo do teu ser em que por ele amo e canto.

Cobres com pétalas teu corpo manga jasmim,
Colocas ao pescoço o colar de rubras cerejas
Adornas com brincos de amoras e me beijas
Com lábios sabor morango… no teu jardim!

Por mulher seres em doce ternura te digo;
Que perdura em mim sem castelo ter,
Adentro de ti viver, que por armadura grito…

Viver por ti amor dura e não maldigo,
Sabor ardente ventura no calor do teu ser
Que alcunha o que por ti sinto … amor maldito!



Recordações… 

Abate-se em mim pela escarpa em cascata
O mais atroz sentimento em movimento
Entre a mente crente, justo julgamento
Fera de um bosque feroz, voz que mata!

Flutua á deriva num rio ardil, culpas mil
Remorsos antigos de amores perdidos,
Ferida subtil que forma crosta em gemidos
Súplicas de curas de um coração gentil.

Mas por ser fogo ardente na minha mente
Amor que me consome de forma diferente,
Atraco as razões e fundeio corações…

Na corrente desliza puro e tão-somente
Límpidas águas de um rio contente,
Rio de emoções, que já não chora recordações!



Moisés Correia

 

 


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