Celebrando
Fortunato dos Santos Oliveira
Antes de amar-te eu era simplesmente
Como um qualquer da vida descuidado,
Mas tornei-me um poeta de repente
Para que este amor fosse celebrado.
E desta sorte, sempre alegremente,
Deixei cada momento eternizado
Para que possa ler futuramente
Os meus cantos de glória do passado.
Quando estiveres quase envelhecida
Celebrarei um canto de saudade
Vendo a tua linda face umedecida.
Então, eu te abraçando ardentemente,
Tu sentirás a mesma majestade
Do amor com que te quero no presente.
Hora de chegar
A esta hora eu deveria estar chegando
Correndo a tua casa e devagarinho
Bater à porta e ficar escutando
Teus passos pela sala de mansinho
E chego até ficar imaginando
Todos teus gestos cheios de carinho
Todos os nossos braços se abraçando
Que até me esqueço que estou sozinho
Mas à medida que esta hora passa
Esse tempo perdido sem te ver
Vai definhando sem nenhuma graça
Que mal consigo parecer tranquilo
Sabendo que amanhã poderei ter
Tudo o que agora já se foi sem brilho
Tempo feliz
Lembras que na janela tu ficavas
Quando mais cedo da escola eu saia?
Sempre sorrindo tu ali estavas
Mesmo sem te olhar eu também sorria.
Assim passava, quando certo dia,
Com outra colega ali conversavas
Declarando a ela o que eu também sabia:
- O meu amor, feliz adivinhavas!
E tua colega, por curiosidade,
De lá me perguntou se era verdade
E confirmei, temendo de alegria.
Hoje lembrando... Tanta ingenuidade!
Sinto de leve uma doce saudade
Do tempo feliz em que o amor nascia...
Estrela guia
Se no céu há uma estrela que nos guia
Escondida entre as outras na amplidão
Que nos conduz assim na direção
Do prazer da ventura ou da agonia.
Eu bendigo essa estrela porque um dia
Levou meu solitário coração
Perante o teu amor que me sorria
E colocou meu destino em tua mão.
E te louvo também que desde então
Trouxeste para mim toda a alegria
Que pode suscitar num coração.
Porque tens sido a minha linda estrela
Num céu sem nuvens, sempre luzidia
Quem não cansa de amá-la, nem de vê-la.
Revendo
Revendo agora, nos meus trinta anos,
Antigos versos de felicidade.
Quisera ter aqueles mesmos planos
Que se perderam pela ingenuidade.
Não se constituíram em desenganos
Que tudo passa quando muda a idade,
Mas ficam sempre irreparáveis danos
Nas simples coisas que se tem saudade.
Que nada muda sem sofrer reparos,
Nem sempre feitos no melhor sentido,
Nem são mais lindos os que são mais caros.
Nem tudo o que sou realmente eu quis,
Nem sei se importa não ter conseguido
Ser menos triste ou viver mais feliz.
Fortunato dos Santos Oliveira - Santiago, RS, Brasil.
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