DEIXANDO VOCÊ
Ervin Figueiredo 


Na garganta, um gosto rasgado
Das mágoas, dos desamores vividos.
No peito um coração já cansado
De sempre bater, apanhando sofrido.

Calado na alma, o grito do sentimento
Desesperado, que insiste em não morrer.
Nos gestos mais simples, o ressentimento
De tanto falar, sem nada mais a dizer...

Pergunta sem respostas e sem porquê
Me mostram a direção, o caminho a seguir
Para mudar este quadro e tentar entender,

Que o momento é sutil e vai fenecer...
Que precisas enfim, seu caminho seguir,
Que me entenda de vez: estou deixando você!


Este Sorriso
Ervin Figueiredo 

Por mais que a vida me atire pedras,
E tortuosos sejam meus caminhos,
Minha força vem do que tu’alma engendra,
Tirando-me dos sentimentos os espinhos.

Não há um céu nublado por inteiro
Sem ter no horizonte brilho algum.
Vislumbro em meu céu ainda que ligeiro,
Um clarear que surge como mais nenhum.

Quando te aproximas, é a luz que vejo assim,
Nada mais importa, de nada mais preciso,
Apenas o que é bom se deposita em mim.

Me sinto feito anjo que alcança o paraíso:
Tudo mais pára, e nada mais tem fim,
Quando enfeita os meus dias, com este teu sorriso!


AMAR
Ervin Figueiredo 

Não sei o que é amar,
Tampouco conheço amor.
Procuro nem mais falar,
Calado não sinto dor.

Me falam de amar demais,
Que amar é coisa divina.
Amar nunca trouxe paz,
Parece ave de rapina.

Procura todos os defeitos,
E eu procuro tranqüilidade,
Achando que é do meu jeito,

Buscando a veracidade,
Encontrarei o amor perfeito
E descansarei na suavidade !


O POETA 
Ervin Figueiredo 


O dia está frio, apagado, céu cinzento.
O vento buliçoso deixa tudo agitado...
As folhas caídas parecem correr no vento.
Também corremos, mesmo estando parado.

Nestes instantes parece que a vida para.
Percebemos tudo sem que nada se note, 
Como se nosso olhar não estivesse na cara,
Levando o que sentimos num imenso pacote.

Só o poeta é quem repara e tudo ele anota.
Rabiscos e mais rabiscos vejo que ele faz,
Passa para outra linha e outra palavra brota.

Vai mais adiante rabisca e depois volta atrás.
Num emaranhado de palavras e mais uma denota,
Surgindo no fim de tudo um lindo poema sagaz !


POR TEU DESPREZO
Ervin Figueiredo 

O vento ressoa na vidraça um lamento,
Como a dor que dilacera e ouve o grito.
Assusta quando ouvimos tal tormento,
Nos deixando à todos pasmos pelo aflito.

A sensação que nos deixa é sem igual,
Nos fazendo solidário ao torturado.
Um sentimento tão profundo e anormal,
Que nos remete à mundo inexplorado !

Ah! Sentimento vil que nos desdenha
Nos colocando paramento de debique,
E nos fazendo personagem de resenha

Como náufragos, como quem vai a pique,
Nos deixa embrutecidos, nos faz penha,
Neste desprezo se me vir, não me critique !

 

 


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Sala de Poetas
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2006

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