O MEIO AMBIENTE DA TRISTEZA
Eron Vidal de Freitas



Estes versos que teci, e ora te envio,
com fios da saudade soberana, 
Estão molhados de garoa da urbe serrana
que se ufana majestosa do agradável frio!

As nuvens cinzentas vestem as colinas
com a avidez de beijos passageiros,
porque os ventos furiosos, altaneiros,
podem varrer, sem aviso, as neblinas !

A natureza dorme passiva e sem luz,
sem perceber que ao meu coração conduz,
a tristeza que me leva à reflexão:

Na monotonia dos efeitos naturais,
se na natureza são fenômenos normais,
causam melancolia ao meu coração.


O QUE PASSOU... PASSOU 
(eron)


O pensar é livre e sem impedimento,
dom que Deus, generoso, deu ao homem...
Mas as angústias, sem querer, não somem,
se não mudas o rumo de teu pensamento.

O coração, por sua vez, sempre conserva
o que a ele aconteceu de bom ou de ruim,
Lembranças boas ou amargas, nada leva fim,
depositadas inteirinhas, nalguma reserva.

Vê, as formiguinhas continuam trabalhando,
as abelhas, sem parar, o seu mel fabricando,
e, nos jardins, flores e pássaros em interação...

Reaja... pois na vida o que passou... passou,
erigindo um sonho como o que o vendaval levou,
cimentado com mais segurança no seu coração.


PSIU ! PSIU ! ...
(Eron)


Psiu... psiu... faço bem baixinho,
quando provocante tu passas por mim...
Mas, não me ouves, segues teu caminho
Até desaparecer andando pela rua, enfim!

Tento seguir-te, mas a razão me impede.
Que dirão os faladores se me virem assim,
Olhando tão fogoso o que teu corpo cede
para os sem-vergonha... e até pra mim?

No andar ritmado seu bum-bum remexe,
me tira do sério, pois comigo mexe,
quando assoviam os safados, fazendo fiu-fiu!

Esqueço os bons modos, minha educação,
E grito, possesso, levantando a mão:
Vão olhar assim as madames que os pariu!


S I N A I S 
(eron)


Tenho recebido por aqui alguns sinais
que a minha mente, atenta, não despreza...
Para o amor sobreviver... haja muita reza
pois, depois da morte... ele não volta mais!

Sem a chuva e solo fértil morrem vegetais,
agonizando no verão, com muita sede e fome...
Nos seres humanos a inanição tem nome:
é falta de amor... desencantos... nada mais!

Você olha pro céu e agradece a Deus
dizendo que foi bom enquanto o amor durou
no reduto de esperanças e de sonhos plebeus...

Porque, se o amor se vai, a esperança é pobre,
só prova abstrata que o amor se foi, e terminou
o tempo feliz, que hoje o passado encobre!


SONETINHO DA DOR
(eron)

A dor é bicha danada
quando cisma em comer gente...
Combater a desgraçada
é tarefa permanente!

Come velhos e à moçada
não lhe fica indiferente...
Mesmo levando porrada,
continua sorridente!

Que fazer com a malvada
com vontade obstinada
de querer fazer o mal?

Reze muito meu amigo,
Deus lhe tira do perigo
da inimiga letal !

 

 


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