À INSÔNIA DO POETA
Condorcet Aranha

Se, tens papel e um lápis extra,
Além da insônia como companheira,
Seja mais forte, não se entregue à mestra,
Mostre nos versos a melhor maneira.

Entre os bocejos pelas madrugadas,
O lápis, extra, grafará sonetos,
Tal qual maestro ao compor toadas
Para exibi-las em lindos coretos.

Então verás que as horas mortas...Vivem...
E que os relógios correm por demais,
Mas, teus sonetos sempre nos exibem,

Tanta beleza em tramas magistrais,
Que nos adoça e até nos escraviza,
Quando na aurora a paz nos preconiza.


LEMBRANÇAS QUE O PEITO APERTA
Condorcet Aranha


Arranjam-se as lembranças que se sobrepõem,
Nas prateleiras vagas que o tempo oferta,
No aguardo das saudades que nos recompõem,
Nas horas de angústia em que o peito aperta.

São, no presente, as passagens do passado,
Que no futuro, certamente, voltarão,
A confortarem, o coração, já tão magoado,
No qual não há mais um espaço pra ilusão.

Lembrar somente de um sorriso que partiu,
Ou das palavras inocentes que deixou,
Não criam casca nesta alma que feriu.

Perdoe Deus se minha fé agora esvai,
No descompasso desta vida aonde estou,
Porque aquele que levaste!..Fez-me pai.


SONETO PARA A INSÔNIA DO POETA
Condorcet Aranha


Jamais procure, no viver, respostas,
Mas, quando a noite com seus véus perversos,
Trouxer a insônia...Apenas vire as costas,
E a sufoque em tramas dos seus versos.

A noite eterna um dia nos alcança,
E os nossos sonhos é que vão seguir.
Pois ficarão poemas na lembrança,
Dos que nos lêem antes de dormir.

Portanto, ria desta insônia tonta,
Que nos ajuda a produzir beleza,
Enquanto o sol dourado não desponta.

O não dormir é nossa natureza...
E a prosa em rima nos persegue... Atenta...
Então na noite que há de vir: Inventa!


IGUALDADE
Condorcet Aranha


Não abro mão do fracasso,
Que na vida tanto ensina.
Não jogo fora o bagaço,
Do fruto que me fascina.

Não deixo ao lado do prato
O que bom gosto não tem,
Nem me prendo a um só fato
Pra julgar o amor de alguém.

Alegre, jovem e bonita,
Por meu coração a ter,
Foi razão do meu viver.

Meu olhar que agora a fita,
Não pode nem perceber
Se é velha e feia ao morrer.


PRIMAVERA
Condorcet Aranha


Sob o azul do céu, independente,
Que desabrocham flores coloridas,
Pra sublimar a alma e então a gente,
Verá cair mil pétalas perdidas. 

No renovar das flores em seus ramos,
Dançando ao ar, tal qual as bailarinas,
O estar longe, de quem mais amamos,
O coração desmancha em ruínas,

Mas, a florada que perdura intensa,
Nos traz à alma uma vontade imensa, 
Que nos conduz para a paixão, mais densa. 

E o amor, assim um novo ano espera,
Para encontrá-la e outra vez quem dera,
No esplendor de nova primavera

 

 


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2006

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