Um Dia Voltarei
Conceição Tomé

Um dia, voltarei ao meu sertão,
Quando o Sol iluminar mais uma vez
O manto verde que envolve sua tez
E avivar os matizes do rubro chão.

Para sorver o orvalho de cada flor
Doce néctar saciando a minha sede
Sentir o frescor do cajueiro verde
Quando intensificar mais o calor.

Então espalharei o meu cansaço,
Pela solidão do tempo e espaço,
E no meio a essa magia envolvida

No revoar duma ave de rapina
Que por mim adeja em surdina.
Sentirei que de novo voltei à vida.


Conceição Tomé - Portugal


Paz e Quietude



Como é belo o mundo visto assim
Destes montes voltados ao poente,
Onde toda a natureza circundante,
Traz a presença de Deus, junto a mim.

Tudo aquilo que toco e me rodeia,
Pertence ao meu extasiado olhar,
O tempo ocioso que não quer passar
E o vento que meus cabelos despenteia.

Sinto todos os poros a querer dilatar
E um ar puro e fragrante para respirar
Absorvida nesta paz e quietude.

Asas a revoar, evocam a liberdade
De viver abundante felicidade,
Abraçando toda esta magnitude.


Conceição Tomé – Portugal


Meu Outono


Outono da minha animosa vida
Chegou sem eu estar à sua espera
Porque o meu Verão e Primavera
Queriam de mim não haver partida. 

Mas este Outono é mais contumaz 
A jogar com o tempo a seu favor
Não se comove com rogos de amor
Nada detém sua natureza voraz.

Veio para cumprir o ciclo certo
Como a mais aprazível estação
Antes do Inverno frio e deserto.

Outono é calmo, amadurecido
Sabe escutar a voz deste coração
Que noutras estações há vivido.


Conceição Tomé - Portugal


Altas Montanhas


Pelas montanhas andam meus olhos,
Seguindo o vento que nuvens varria
E a neve esparsa que ainda persistia,
Cobrindo cumes, livres de abrolhos.

Das altitudes vi o Mundo a meus pés,
Tão belo e frágil aos olhos meus,
Como será visto aos olhos de Deus?...
Talvez reduzido a mar e suas marés.

Ou uma linda bola dum azul terso,
Para enfeitar o altar do Universo,
Que queremos destruir, como cristal.

Talvez o Seu jardim verde e florido,
Agora pela poluição destruído,
Oh Deus! Porque fazemos tanto mal?


Conceição Tomé - Portugal


Alijó, Princesa de Trás-os-Montes


Alijó, princesa de Trás-os-Montes,
Erigida no sopé duma colina,
Tem ar travesso de eterna menina,
Sacia sua sede em frescas fontes.

Tesouros, tem gravados no granito
Na fachada das mansões, na sua traça,
Que extasia os olhos de quem passa
Dão-lhe um perfil robusto e bonito.

Herança deixada por outras eras
Bordado a ouro por ninfas celtiberas
È o manto verde das vinhas, seu dossel.

Com plátanos seculares adornada
Por todos os seus filhos adorada.
Mais famoso é seu vinho moscatel.


Conceição Tomé - Portugal

 

 


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