Bálsamo meu!
(para Camila Castro Alves de Andrade)
És tu flor semeada no jardim
do coração; fecunda de amor,
esperança divina; o jasmim.
És canto harmônico, o louvor.
Vieste p'ra alegria dos afins,
espalhando a vida, o calor.
Tua vinda, a ternura, enfim,
é o perfume suave p'ra dor.
Os Querubins jorraram com emoção
os talentos grandiosos das almas
excelsas e eternas. És minha canção.
Pequenina! És bálsamo! És calma!
Em ti encontro a paz, o terno chão,
que há muito espero em minh'alma.
Conceição Di Castro
Mãos
Mãos poderosas de amor e afago,
Mãos caridosas de luz e ternura,
Mãos abertas para acalmar o lago,
Onde a revolta permanece escura.
Mãos dilacerantes do hirto bago,
Cuja ação é o remédio da cura.
Mãos cheias para preencher o vago
Deixado pela ausência da doçura.
Mãos calejadas pelos espinhos
Encontrados no destino surrado,
Plantado ao longo dos vários caminhos.
Mãos sofredoras por gesto calado
Envolvendo os homens em desalinho,
Que promovem o fato desvairado.
Conceição Di Castro
Pequenino Rouxinol!!!!
(Para meu netinho in
memorian)
Meu pequenino pássaro de amor
Fora concebido com mui desvelo,
Esperado com carinhos e flor,
Chegando a fazer sonhar em vê-lo.
Viveste pouco tempo em derredor,
O parco momento mostraste o elo,
Teu cantar era ouvido com calor,
O gesto fora bem-vindo com zelo.
Tu,avezinha, era nosso rei Sol.
Tua vinda era um cacho d'esperança,
O choro era um cantar de rouxinol.
Mas a vida não quis deixar bonança,
Levou-te junto com os raios de Sol,
Deixando o vazio da linda criança.
Conceição Di Castro
AMIGOS
Amigos são as flores do jardim,
Perfumando a ternura da emoção,
Onde as rosas são ninhos de carmim...
Amigos são o néctar da canção.
Em cada parco espaço um jasmim,
Com flores colorindo minha mão,
São gostoso carinho de cetim,
Pois ajudam minha evolução.
Amigos são meus mestres mais queridos,
São preciosos termômetros da vida,
E com eles afino os meus sentidos.
Amigos são Esp'rança renascida
Nas matizes dos poentes sucedidos...
Ai, como são queridos os Amigos!
Conceição Di Castro
Um Símbolo
Árvore, que renasces mais frondosa,
frutificas em berço verdejante,
alimentas a fome poderosa
dos rastros famintos e rorejantes.
Em tuas folhas, há esplendorosa
seiva, trazendo o orvalho retirante,
da sereia encantada e calorosa
das almas talhadoras e triunfantes.
Em teu tronco, está marcada a dor,
e o calor de amar pelas estações
quentes, frias, floridas do amor.
Oh! Ávore! viestes nas canções
escritas numa hora de furor,
revistando as florestas de emoções.
Conceição Di Castro
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