CARTA DE AMOR
Para a Gracita
1961-1985
Clarisse Barata Sanches
Envio-te esta carta de luar,
escrita a tinta de ouro, meu Amor!
e vejo-a azul e verde, furta-cor,
reflexo dos teus olhos, cor do mar!
Vão nela a luz do Sol e o calor
que faz sentir minh’ alma se abrasar…
saudades não te mando, hão – de ficar
para darem conforto… à minha dor!
A carta tem a forma de um soneto
e leva as violetas do afecto
aceso em rubra chama, com perfume.
E finalmente, Amor, inda te digo:
- dentro desta missiva eu também sigo
para dar-te os beijinhos do costume!
Clarisse Barata Sanches – Góis - Portugal
E S C U T E M O S A C R U Z D E CRISTO
Clarisse Barata Sanches
Tu és Jesus, eu sei porque vieste
abraçar-me… de todo o coração.
eu não Te merecia a Redenção
e nem a suma honra que me deste!
O dia escureceu! Arrefeceste…
e nesta sexta-feira da Paixão,
sem poder aquecer a Tua mão
com o calor da alma… tão Celeste!
O mundo fechou olhos ao Milagre…
e Te deu a beber fel e vinagre,
e de mim fez calvário, cruz e dor!
Mas se deste a Vida, p’la Verdade,
um dia, há de saber a Humanidade,
porque Deus sofreu tanto… por Amor!
SONHO MAIS LINDO
Clarisse Barata Sanches
Dezasseis de maio: eu
gravei-te na mente:
que noite tão bela, de encanto e magia!
entraste no quarto, sorrateiramente…
e todo o meu corpo vibrou de alegria.
Depois vi sentar-te na cama e em frente,
mais nova e mais linda, teu rosto sorria!
trocamos abraços, e tão fortemente,
como há muito a alma, assim não fruía.
Trazias vestido um fato cinzento
e vinhas a casa pra dar-me um alento
de viva Esperança e falar-me do Céu!
Só duas palavras ouvi, mãe querida!
um anjo levou-te… mas foi, nesta vida,
o sonho mais lindo que me aconteceu!
Clarisse Barata Sanches – Góis - Portugal
GÓIS: BALADA PARA TI
Não sei cantar-te um Hino de louvor,
uma canção de Paz, tendo ilustrada
a tua velha História e o valor
duma terra tão linda e bem formada.
Não cabe, Góis, aqui, nesta balada,
O que eu queria expor-te com rigor.
os versos que te fiz são quase nada,
a vista do que dás... com tanto Amor!
Toda envolta de verde, a velha Igreja,
a Ponte, o Rio Ceira que te beija:
Santo António, o "Castelo", o Cerejal…
A Cruz de São Tiago, por teu preito,
fazem de ti o Hino mais perfeito
e o mais belo do nosso Portugal!
CAMÕES EM PORTUGAL
Clarisse Barata Sanches
Camões um patriota desterrado
que enalteceu a língua Portuguesa,
um romântico vate, mal amado.
jamais teve benesses da nobreza!
Lutou… foi um guerreiro sinistrado.
viveu sempre na sua singeleza…
mas foi um dia ao Rei, como um mestrado,
ler uma “História, linda, de grandeza.
Se Camões viesse hoje ao seu Choupal
cantar, talvez, a nossa odisséia…
Como a declamaria em recital?...
… Decerto em rija prosa, a dar “tareia”
nos políticos deste Portugal,
que não lhe inspiram cantos de epopéia!...
Clarisse Barata Sanches – Góis - Portugal
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