A Palavra
Cecília Rodrigues
Sou do tempo das trevas e da luz
Sou um eco na montanha, sou voz
Sou a bússola que a todos conduz
Sou o tema de boca em boca veloz
Sou da vida, sou do mar o sargaço
Sou semente da terra germinada
Sou o amor, o desamor, o cansaço
Sou heróica, batalha terminada…
Sou promessas incumpridas ou dadas
Sou verdades mas, também sou mentiras
Sou cores, cacho de uvas nas ramadas;
Sou tirana, quando arremesso a espada
Sou balança quando faço justiça
Sou lama, quando sou pra lá atirada.
Cecília Rodrigues
Amar o próximo, como a si mesmo! ( ?)
Em qualquer lugar deste débil mundo
Onde gente houver, há suor há labuta,
Há gente boa, gente no submundo,
Há gente que doa, há gente que luta.
Se teu ideal for breve, ou se profundo,
Não te deixes ludibriar p'la escuta,
E nem p'lo mal que do alheio oriundo.
Vai! Ergue-te na Fé, co'Ela desfruta;
Ama o próximo! Sim, como a ti mesmo!
Sábias palavras, Jesus pronunciou,
Ele como exemplo Maior, nos deixou!
Mas o Homem persegue o tino a esmo,
Olvida, e segue alheio e rotulou...
Sua pobre vida, em guerras afundou!
Cecília Rodrigues
Conto as horas do tempo...
Não sou, dona de ti. Meu coração!
E nem a coqueluche dos rapazes,
Oh! Vida já vivida o que me fazes!?
Desfio em versos esta solidão!
E nesta breve estância, prendo a mão,
Evidencio horas tão fugazes...
De Primaveras, bailam lindas frases,
Da mocidade e em sublime razão!
Eu já perdi do tempo, toda a conta,
Conto as horas do tempo, que já conta!
Reverto em todo o tempo, uma saudade!
Tolda-me um manto em pura seda airosa,
Com perfume d'uma alvacenta rosa...
Apraz-me o tempo, esta felicidade!
Cecília Rodrigues
Apraz-me o Tempo
Apraz-me o tempo, esta felicidade;
Ter-se o tempo, sem ter o tempo em conta.
A conta do tempo, ida a mocidade!
E ainda hoje a mocidade aponta;
E na conta desta áurea saudade;
Plenos os sonhos, fúlgidas quimeras.
Na luz do olhar quiçá, já sem idade...
Tempos de Outono, contam primaveras!
Indelével o meu sonho persiste,
Basta-me saber que o tempo i’nda existe,
E que o futuro lá está a minha espera;
Traços concretos em novos ideais;
Edificam castelos em meu cais...
Onde o tempo anuncia a nova Era!
Cecília Rodrigues
Poesia. .
És companhia...nas horas cruas
És harmonia nas tempestades
Nas intempéries apaziguas
Neste Planeta em desigualdades
Nas horas certas tu compactuas
Na paz de espírito nas Irmandades
Contigo a calma tem forma de luas
E o amor perdura por eternidades
Também és candura, alma e luz
És aquela estrela que me conduz
Nesta via láctea de tantos horrores
Abraço este esteio que me propus
E na tua palavra que me seduz
Visto-me de sonhos, vislumbro flores
Cecília Rodrigues
Sócia da Associação Portuguesa de Poetas -APP
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