A ESPERA
(À Índia)
Jaz a esperança em mim
Oculta de qualquer olhar
Minha fiel companheira
Comigo num canto a esperar.
A solidão consome o tempo
Adiando o momento preciso
De vê-la descendo os degraus
E contemplar o seu sorriso.
Assim como um monumento
Inerte de qualquer reação
Sentindo o sopro do vento.
Preso ao seu coração
Escravo do seu sentimento
E submisso da sua paixão.
Autor: Antonio dos Anjos
SONETO PARA AFOGADOS DA INGAZEIRA
Na planície do Sertão tu nasceste
Das cinzas da lenda de um casal
Petrificastes pra sempre o teu nome
Na história brasileira e universal.
És banhada pelas águas do rio Pajeú
Onde um casal nele desapareceu
Saindo da vida para a eternidade
Fato que ninguém jamais esqueceu.
Os teus filhos justificam a tua história
Incansavelmente defendendo a tua memória
E não fugindo jamais da responsabilidade.
Teu solo faz brotar a felicidade
No coração do povo a humildade
Sempre lutando sem desistir da vitória.
Autor: Antonio dos Anjos
PINTURA ÍNTIMA
Se eu conseguisse parar o tempo
Escolheria o teu lindo olhar
Para ser eternizado na história
Juntamente com o verbo amar.
Uma chuva de verão com arco-íris
Retratando a mãe natureza
Em um campo amplamente florido
Endossando ainda mais tua beleza.
Pinto cada cena, sem conseguir esconder
Um toque genial proporcionando miragem
Até mesmo aos olhos da Cinderela.
Índia, esta pintura é para dizer
Eu, nos teus olhos vendo minha imagem
Tu, nos meus olhos vendo como és bela.
(Antonio dos Anjos)
SONETO PARA A ÍNDIA
A dor física da minha enfermidade
Extermina a minha chance de dormir
Mas, não elimina do meu pensamento
Sua beleza, seu jeito meigo de sorrir.
Noite sombria, chuva no telhado
Alma solitária, repleta de dor
Um momento ímpar de alívio
Quando desejo o abrigo do seu calor.
És meu sono, minha fonte de alegria
Contra os mais enigmáticos delírios
Porto seguro rumo a um novo dia.
Nesta tempestade entre coração e mente
Colheremos os mais belos lírios
Esperando o futuro e vivendo o presente.
(Antonio dos Anjos)
SONETO DA SAUDADE
A saudade é um estopim
Que nos causa tormento
É o passado no presente
Levando-nos ao sofrimento.
Por alguém que já partiu
Sofre-se também pela distância
Pela perda de um amor
Ou por lembranças da infância.
Não há fórmula nem teoria
Da saudade persistente
Seja noite ou seja dia.
O corpo fica dormente
Exterminando à alegria
Do coração e da mente.
Autor: Antonio dos Anjos)
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