CALMARIA!
Rasguei todas as promessas que me fizeste,
Destruí-as, enterrei-as sem pudor,
Rasguei-as com a mesma garra que tu teces
Esta mágoa que me queima e causa dor.
Destruí-as simplesmente sem me sentir,
Enterrei-as, ai que bom só de pensar
Que já não sei nem conjugo o verbo ir,
Que já não quero o que não me podes dar.
Acabou-se, é pretérito, foi-se o tempo
Em que os desejos eram só tristes lamentos
Desfeitos na penumbra que me sorvia...
Hoje tenho a verdade que em mim emana
Com subtileza o frescor da esperança,
Hoje tenho o sabor da calmaria!
Ana Martins
Escrito a 25 de Junho de 2009
NO LIVRO DA VIDA...
Ao livro da vida que me ofereceste
Acrescentei a tua imagem com paixão,
Encapei-o com a força com que soubeste
Transmitir-me tanto amor e união!
Folheio agora as suas páginas passo a passo
Na tentativa de recordar-te, ver-te enfim,
Lá tristemente só te vejo os traços
Mas a mensagem, essa, permanece em mim!
Apagar Pai Querido o que almejaste
No memorando deste livro a quem amaste,
É tarefa impossível de conseguir...
Serei página deste livro que me deste,
Serei folha que em vida tu escreveste,
Serei capa de outro livro que há-de vir...
Ana Martins
Escrito a 12 de Janeiro de 2009
DEVANEIOS!
Não, não me olhes com o descaso e censura
Que já não consegues omitir,
Deixa-me permanecer assim em clausura
Na certeza de não me iludir!
Eu sei, que as loucuras onde me deleitei
São agora marcos irreversíveis em minha vida,
Que cada passo errado que dei
Me levou a este estado decrépito de sida!
Eu sei, que não soube sorver o meu tempo,
Que a luz de outrora é agora o tormento
Da insensatez a que me fui permitindo...
Mas deixa-me perecer aqui, em paz enfim
Com o desprezo que já não doí nem pesa em mim,
Tão longe de ti... E tão perto do fim que já sinto!
Ana Martins
Escrito a 22 de Janeiro de 2009
SE... A ETERNA CONDIÇÃO!
Se o espaço de tempo em que não me vês
Te estremece e faz sentir distante,
Talvez seja porque a vida não te fez
Para seres o meu amor, o meu amante.
Se a saudade não desperta em ti
O desejo e ansiedade de me ter,
Então não vale a pena estares aqui
Com esse olhar ávido de prazer.
E se até hoje não consegui avivar em ti
A doçura dos instantes já passados,
Então não me sinto no rol dos amados...
Sou apenas no amor que só eu vivi
Um marco de paixão desbotada
Na certeza de ter sido mal amada!
Ana Martins
Escrito a 19 de Setembro de 2009
AMANHECER
Levanta-te meu amor, abre os olhos
Lá fora brilha o Sol com frenesim,
Estende os braços, embala-me no teu colo
Estou louca por me ter em ti assim!
A vida brilha em nós tal qual o tempo
Se faz sentir quente e folguroso,
Quiçá quebre no desejo o silêncio
Do Sol que me beija e aquece o corpo.
Levanta-te meu amor, dá-me a mão
Amanhece-me num arroubo de exaltação
Nesta paz voluptuosa e vespertina...
Quem sabe neste dia que começa,
O Sol dantesco então aqueça
A sua amada Lua cristalina!
Ana Martins
Escrito a 17 de Março de 2009
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