Sonho
Alberes Cunha
Uma neblina paira em minha vida,
De sonhos, ilusões e de quimera!
É como se eu ficasse sempre à espera
De uma esperança há muito fenecida!
Nessa lembrança imensa e dolorida,
Fico pensando a esmo... Quem me dera
Que as flores da passada primavera
Tornassem a minha alma revivida.
Olho no espaço e em linda romaria
Lembranças do passado que excrucia
Faz-me sentir tão triste e tão bisonho!
E a vida é a vida e sempre continua
A me dizer essa verdade crua
Que tudo o que passou foi só um sonho!
Data: 29/08/2009
Crepúsculo
Alberes Cunha
Escuto, ao longe, o badalar de um sino...
Minh'alma treme.. O coração padece!
É como se escutar saudosa prece,
Nas asas tremulantes do destino!
Volto a lembrar os tempos de menino,
Que aos poucos descolora e se esmaece..
Amores que se foram...Não se esquece
Num farfalhar de louco desatino.
E o sino continua badalando
Fazendo-me lembrar de vez em quando
Que a minha vida aos poucos se definha...
Fico pensando... O que me resta agora?
- Doce lembrança do que fui outrora,
Nessa saudade enorme que é só minha!
01/08/2009
MIRAGEM
Alberes Cunha.
Ontem a revi. As rugas no seu rosto
Não apagaram seu semblante lindo!
Fez-me lembrar nosso passado, findo
Num farfalhar de outono de sol posto.
E ela seguia pela estrada indo
Pisando os sonhos que eu guardei a gosto,
Mesmo sentindo esse cruel desgosto
Eu a seguia, aos poucos se sumindo.
E ela se foi na curva do caminho
Deixando uma saudade que definho
Por toda a vida... Pelo mundo afora...
E agora eu fico à beira dessa estrada
Sem ter uma esperança, sem ter nada
Guardando os prantos que derramo agora.
15/09/2005.
A VIDA.
Alberes Cunha
Desde quando nasci, pobre, ao relento,
Sempre aceitei que a vida é passageira,
Passa veloz, em célere carreira,
Que nem notamos o seu movimento.
O tempo trás consigo um sentimento
Que nos aponta pela vez primeira
O que há de vir na hora derradeira
Quando partirmos cavalgando ao vento.
O nosso rosto fica mapeado
Com rugas e o cabelo esbranquiçado
Aponta que a velhice já chegou!
O corpo treme... O rosto empalidece...
Humildemente rezo a minha prece
N'um resto de saudade que hoje sou!
Recife, 15/09/2003.
Ausência
Alberes Cunha
E assim vou caminhando... Caminhando
Por entre sonhos relembrando amores,
Sem ter, contudo, um lenitivo, quando
Aumentam muito mais as minhas dores.
Vivo a procura, sempre, aonde fores
Mas não consigo te encontrar, no entanto
Ouço os teus passos espalhando flores
Por onde passo desvairado em pranto.
A tua ausência fez-me um caminheiro
Vagando pela vida o dia inteiro
Sem rumo, sem destino e sem abrigo!
A névoa do passado, cismarenta,
Faz-me sofrer e cada vez aumenta
Essa vontade de ficar contigo!
Data: 09/09/2002
O amor
Alberes Cunha
O amor é tudo.Em toda parte existe.
É luz aquecedora e colorida,
Que nasce em nosso peito e ali resiste
Aos muitos desenganos dessa vida.
É bálsamo sagrado que persiste
Amenizar a mágoa dolorida.
É meiga inspiração. Nela consiste
Dar o perdão à ingratidão sofrida.
Amai, portanto, sem constrangimento,
Acalentai, humilde, o sentimento
De amar a todos com dedicação.
E, então verás a vida quanto é linda,
Mesmo que tragas na tua alma, ainda,
As cicatrizes da desilusão.
Data: 22/11/1999
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