|

A Bailarina
J.R.Cônsoli
Uma folhinha cai... Vem pelos ares,
Brinca feliz com a brisa matutina...
Com movimentos leves, regulares,
Como se fosse meiga bailarina.
O sol, por entre as folhas da amoreira,
Lança seus raios de luz, de purpurinas,
Transforma assim, a eventual parceira,
Na mais bela e feliz das dançarinas.
Mas a cena se acaba... Chega ao fim
Cai a folha no chão, sem mais escolha...
Fica sem luz num canto do jardim.
Nosso enredo tem certa semelhança,
Após bailarmos livres como a folha,
Nos quebra à mão a taça da esperança.
Crepúsculo
J.R.Cônsoli
A tarde é quente, mostra o seu rubor,
Joga na Terra a tua luz brilhante...
E a onda loura, nobre, viajante,
Acorda a praia com o seu rumor.
O sol distante, inda colore o céu,
Tinge de luz as nuvens passageiras,
A brisa leve bole com as palmeiras,
E a noite vem surgindo com seu véu.
Nasce uma estrela... Pisca suavemente,
Enquanto a noite adentra para o mar,
Escurecendo as águas mais à frente.
E nos teus olhos brilha a luz da lua,
Refletem suaves raios de luar,
Que envolvem de magia a imagem tua.
Amor Gramatical
J.R.Cônsoli
Do teu amor fui objeto direto,
o verbo ter de tuas exigências,
quis ser preposição pra ser correto,
só consegui ser mesmo reticências.
Continuei co’ amor mais que perfeito,
pensando chegar salvo ao infinitivo,
sem me afastar um ponto, e desse jeito,
aprender como agir no imperativo.
Depois das reticências fui sinal,
passei por trema, fui exclamação...
até bater-me a interrogação.
Meu verbo ser então ficou oculto,
o zeugma fez com que virasse um vulto,
e a história se acabou... ponto final!

PRÓXIMO
BIOGRAFIA
|