GAIA
Fatima Abrantes


Gaia, nossa mãe Gaia,
em teu regaço nos acolhestes
e nos gerastes no teu ventre...
Milênios foram necessários para que nos parisse...
E veio a luz e a consciência...
De tuas mornas águas, de teu ser vivente
surgimos da gota, da célula única
que permitiste crescer em teu seio...
E assim, como Mãe Protetora
acolheste-nos sempre,
a cada passo do caminho...
Gatinhamos, nos erigimos, andamos
e tuas mãos amigas sempre presentes...
Reverencio-te Mãe Gaia...
E te agradeço...


SE EU FOSSE POETA
Fatima Abrantes


Se eu fosse poeta...
A ti, escreveria a trova mais linda
que o mundo conheceu...
Cantaria meus sonhos em verso e prosa,
com as rimas mais formosas,
ainda que fosse pra te dizer“Adeus”...

Traria do céu as estrelas
para abrilhantar meus poemas
de luzes e cores fulgurantes...
Sem pejo, sem medo de ser feliz...
Somente para dizer-te
o quanto te quis...



INDEFINIDO
Fatima Abrantes

Sou sonho, sou paixão
sou fogo de ilusão!
Chuva que cai sem te molhar,
brisa que sopra sem tocar.
Vontade de viver o não vivido,
divagando desejos incontidos
por um céu de dores refletido...
Ânsia de querer o indefinido,
sem saber porque deste destino
que teima em me acompanhar.
Sou breve, sou partida,
como a estrela mais antiga
que ainda teima em brilhar!
Sou a mais doce das canções,
perfume que se espalha pelo ar...
Sem que tenha entendido
o porquê de tanto amar...


Tu, Eu e Portugal
Fatima Abrantes

Nos áis de amor, o desencontro
sela como fel o gosto da partida
A distancia alonga a despedida,
ao ver o mar, me amedronto

C'os meus olhos marejados
vejo-te partir e dói-me o peito
Por saber-te sem jeito
em dizer-me que não voltarás

Cá fiquei a te esperar,
por noticias a divagar...
Somente nos meus sonhos a cismar

Foste-te douto português,
aos teus voltastes de uma vez
Afinal, Tu, Eu e Portugal, quem sabe?



BUSCA
Fatima Abrantes


Busco o telhado
Quero ver longe
A montanha distante
Reconforta-me

Ainda que meus olhos
Ofuscados de repente
Deixem de vê-la
Por instantes

São os revéses
Os enganos
O ego ensolarado
Descontente

Baixo a guarda
E novamente
Clareia-se a messe
Finalmente

Ponto de partida
Busca de chegada
Luz que direciona
Nova estrada

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  17.01.2012  

  

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