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MAIS UM POUQUINHO
Fernando Alberto Salinas Couto
Quando, um dia partistes
dizendo que voltarias,
estes meus olhos tristes
mostravam como eu sofria.
Não tanto por ficar sozinho,
mas pelo apego ao teu carinho.
Todas as noites eu sonho
que tu estás voltando
e, em cada sonho, me ponho
em teus braços me entregando,
mas acordo com a sensação
de um vazio no coração.
Coração que já não é o mesmo
de quando estavas comigo,
pois vai batendo a esmo
por causa do grande perigo
desse amor nunca voltar
e minha vida, então, acabar.
Mas o que me ajuda a viver
é a confiança na tua volta,
pois só consigo conceber
que, como andorinha solta,
tu retornarás ao teu ninho,
pra eu viver mais um pouquinho.
SP – 28/02/1
Fernando Alberto Salinas Couto
SEM EIRA NEM BEIRA
Fernando Alberto Salinas Couto
Ah, mulher moradora de rua
que vive de qualquer maneira,
às vezes, brincando com a Lua,
vagando, sem eira nem beira.
Só Deus ouve as tuas preces.
Já tivestes glamour e riqueza,
usando joias de prata e ouro,
com poderosos ao teu lado.
Mas hoje ignoras o teu futuro
e nesse banco abandonado,
daquele passado te esqueces.
Durante alguns escassos dias
te alimentas com restos da feira.
À noite, distante das orgias,
tens só a névoa por companheira,
aguardando o fim dos teus dias,
contando os segredos ao vento.
Só querias ser rica e poderosa
e cultuavas alergia aos pobres...
Até fostes, um dia, muito famosa.
Hoje, com jornal velho te cobres,
enquanto consomes o sofrimento.
SP – 18/07/11
Fernando Alberto S. Couto
O LENÇOL
Fernando Alberto Salinas Couto
Aquele tão alvo lençol,
libertando-se de todo suor
e tremulando na imensidão,
perante os raios de sol
rendia um insólito louvor
à rude vitória da solidão.
Testemunha importante
de muito amor e paixão,
de almas se entregando
numa carícia alucinante,
que foi se transformando
na mais triste desilusão.
Ao ritmo do vento secavam,
com o suor da sensualidade,
as lágrimas que sangravam.
E o lençol extirpando a dor,
acreditando num novo amor,
ainda espera a felicidade !
SP. 04/08/08
Fernando Alberto Couto
NOITES ANTIGAS
Fernando Alberto Salinas Couto
Os rapazes se reuniam,
ao final de cada tarde
e passando por ruas floridas,
em sonhos de mocidade,
ensaiando melodias, iam
fazer serenatas a suas queridas.
Pássaros se recolhendo.
Portas e janelas a fechar.
O brilho das primeiras estrelas
nos bancos da praça refletindo,
com o fascínio do luar
e o suave sereno caindo.
Naquela humilde sacada,
a jovem detinha na mão
uma perfumada flor
que na hora desejada,
ao término de uma canção,
jogaria ao seu grande amor.
SP – 17/10/09
Fernando Alberto Salinas Couto

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