*Dia Internacional da Mulher
08 de março
Sonia Nogueira

Quando acordei estava na calçada
Correntes quebradas livre a mente
Nas mãos nem a vanguarda atiçada
Vedava estradas, grandes afluentes
Nós as mulheres...

Olhando distante, porta aberta
A prole minguando, decaía!
Longe do fogão, a vida desperta
No livro, a força em alforria
Nós as mulheres...

Abrindo a cortina a peça bramia
Entre gritos e aplausos que vem
No peito agonia a fera rugia
Baixou o cio do comando aquém
Nós as mulheres

Galgando degrau de noite ou dia
Não só a professorinha delicada
A advogada nas leis que, ousadia
Na astronauta, a imensidão assedia
Nós as mulheres

Executiva, lixeira, e guerreira
Militar, médica, e poetisa
Até mecânica ou ferreira
Pinta a tela, baila, e profetisa
Nós as mulheres

Choramos, sorrimos, reivindicamos
Abraçamos nossos ideais, lema
O sonho? Ah, viaja e encontramos
No poetar as estrelas um poema
No real pé no chão sem dilema
Nós as mulheres

Não apagamos a essência mulher
Mãe dedicada, amante, companheira
Unindo alegria sem a lágrima abster
Ousamos, levamos além, a bandeira
Da paz, sem guerra além fronteira
Nós as mulheres...
Estamos aqui



*Dia Nacional da Poesia
14 de março


Após longos anos que eu ouvia
Século oito antes de Cristo, te lia
Ilíada e Odisséia, Ulisses e Tróia
Poemas que registrou a história

Viajei contigo em sátira romana
Lucrécio e a natureza das coisas
Horácio, Ovídio, lirismo e fama
Virgílio em Eneida canções épicas 

Entre bárbaros a igreja te cultiva
Controla feito heróico nas guerras
A força do feudalismo te implica
Os mosteiros te preservam nas eras

Adentra os palácios com lirismo
Fomentam os trovadores as amadas
Platônico amor ou críticas abismo
Renasce o poeta em noites arfadas

Renasceu em Dante vida tirana
Petrarca um sonetista italiano
Luis de Camões como um soberano
Exilado o corpo a mente se ufana

E foste seguindo na passarela nua
Clássicos, romantismo, realismos
Oras preservas as origens tuas
Outras vezes te louvam modernismos

Tímida ainda te vem nas prateleiras
Adormeces por escassez de mãos
Falta o folhear das páginas arteiras
De versos que cantam os rincões

Estou aqui carente de teus versos
Lambo-te como cria querendo afeto
De rima há riscos sem leis decretos
Liberto cada poetar sou sala e teto



* Meus Sonhos

M – Minh’alma já cansada quase nua
E – Encontra quase nada no caminho
U – Unindo ao poema que flutua
S – Silêncio envolvido de carinho

S - Se cada meu sonhar voasse além
O – Olhasse na fronteira esperança
N – Nada o detinha aqui no aquém
H – Horas estagnadas tempo avança
O – O rio corre rápido fica o leito
S – Sonhos rastejando quase preito



* Perdão Senhor


Por não ter aprendido como amar
Como ensinaste simples e direto
Pulei etapas não percebi que o mar
Carrega tudo como lei decreto
Nunca encontrei a palavra astuta
Manuseio dos amantes providos
Na mão do mestre regendo a batuta
Ou cancioneiro de versos floridos
Desviei a rota o tempo nem viu
A falha da cliente que sucumbiu
Nas letras nos bancos acadêmicos
Dos livros a leitura foi primeira
Olhou atrás notou que a ribanceira
Carregou o amor sem vê fronteira



*Em Um dia Qualquer

Fui andando pela estrada a fora
Com os olhos fitos na multidão
Só vi lamento em vez de comunhão
Braços mutilados abertos, desforra

O amor só uma nesga rija supérflua
Palavras moldadas sem emoção
Pobre dele tão frágil coração
Mendigando partilha vida nua

Dobrei a esquina procurei novo rumo
Mesmos dilemas, sorriso apagado
O amor ali esperando um achado

Tudo obscuro, inútil, mistificado
Apenas o corpo em gozo profundo
E a alma, coitada, perdida no mundo

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  07.03.2010  

  

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