|

SE ÉS - PODES
Rosa De Souza
Vejo os prados que te levam tão longe...
além horizonte e conhecido.
Não te cinjas às barreiras do hoje.
O alvo de ouro em ti embuído...
Espero que o descubras, que o mereças,
no amor àquilo que foste - sempre,
àquilo que serás, mas não esmoreças.
O poder da vontade é da alma o ventre.
Tudo te será dado em dobrado,
quando acreditares no que já és.
Ambição da alma não é pecado.
Do topo desse mastro te procura...
rompe as mãos, sua sangue, rasga os pés.
Crê, és a essência que Tudo segura.
RESIGNAÇÃO OU AUDÁCIA
Rosa De Souza
Esculpi a tua essência no sonho de fogo.
Usei véus de seda para o meu laço.
No regaço mais profundo te abraço.
Descobrir o que és - me rogo.
Sinto o frio de estrelas apagadas.
Conciliações empregnadas de conflitos.
dormitando, indolentes gritos,
montanhas sem pegadas nem estradas.
Quem és? O que te mantém de pé?
Obrigação, resignação ou fé?
Dormirá a tua alma sem audácia?
O herói é a linha entre a erva e a acácia.
Mas se o sol roda para acender astros.
Se é o cósmico cio que faz a Terra brilhar.
Por que liofilizas o verbo amar?
Como queria ajudar-te a subir!
Do nadir ao zênite, a outro porvir...
Pregar outros sinais nos teus rastros.
Juncar sêmen de esperanças sob teus passos.
Será falta de vontade ou coragem?
Mas eu sei que és da minha linhagem!
A estrada bifurcou; voltar ou continuar?
Espero que não acendas velas nesse altar
e que olhes em frente com a ousadia
dos que sabem distinguir a noite do dia.
PRETO OU BRANCO?
Rosa De Souza
Não há preto nem branco.
Felicidade intolerável. Infelicidade insípida.
Bondade acima de tudo.
Pairam vontades entre neurônios e veias.
Latejam germes de vida sem filosofia.
Ventos gozam sem entrega.
Encruzilhadas, caminhos sem destino.
Dúvidas existenciais. Viver viver,
mas se morrer é tão mais simples.
Dar sentido ao preto arremessando alvas letras.
Pintura admirada e nunca entendida.
Museu de engano. Insano paradoxo.

MAS COMO?
Rosa De Souza
Quantos olham riachos pensando em mar.
Caminhantes de pedras ásperas, grãos de areia.
Cama turbulenta de jasmim... a alergia.
A invejavam tanto. Inspiravam-se romanceando;
Mas como? Que mais queria?
Aquilo que fazem no casebre pintado de branco...
Soleira ensolarada de flores silvestres, aquecendo o pé.
Degrau que eleva o chão a um finito sem fim.
Cama perfumada de rosmaninho.
A questão não é ser ou ter, mas dar.
Não há barcos no horizonte. O mar murchou.
Chuva no cimento. Terra inundada de sede.

PORQUE TE AMEI?
Rosa De Souza
Porque te amei?
Foste a estrela onde meu corpo pendurei.
Foste a metáfora que minha força acendia.
Foste a experiência
que naquele momento urgia.
Foste o mago que fez a alma voar.
Foste o sonho onde me recriei.
Foste do querer a consequência
sem criar dependência.
Foste sinos que ergo ao altar
do interior,
por onde derramo
a mais bela partícula
de amor.
Foste o ar que precisava beber
para melhor meu universo entender.

PRÓXIMO
BIOGRAFIA
|