|

ALIANÇA
Renate Emanuele
Uma foto na moldura da estante
Na lareira uma chama acanhada
Noite fria, linda noite enluarada
Belo cenário a qualquer amante
Perfume que envolve o quarto
É o mesmo perfume do jardim
No alpendre, debruça o jasmim
Das lembranças que ainda trato
Na poesia contemplo meu enfado
Os versos a companhia para a solidão
A saudade que agora habita o coração
Insinua o cansaço no cabelo prateado
Suave música misturada ao pranto
Toalha de renda enfeitando a mesa
Com os óculos, o terço para a reza
Uma cadeira vazia no outro canto
A lágrima seca brotada do medo
Dois travesseiros, uma cabeça
E para que eu nunca o esqueça
A aliança junto à minha no dedo
ALÉM DO AMOR MATERIAL
Renate Emanuele
Hoje, como todos os dias uma visita
Algumas flores oferece com seu amor
Suas mãos transmitem todo seu calor
Um doce beijo em seu rosto deposita
Destas coisas que a vida nos apronta
Seu rosto amado ela não o reconhece
Sua frágil mente se agita, mas esquece
Sentada em um sofá nem se dá conta
Deusa da beleza um dia a musa eleita
Uma linda mulher pelo homem amada
Que neste asilo a muito vive internada
Com a morte que sua débil vida espreita
Mas ainda existe ele que ama dobrado
Não importa ser por ela ali percebido
Sabe que um dia este amor fora vivido
Na eternidade esse amor será cobrado
E se eu pudesse colher o melhor gosto
Certamente colheria da mulher a ciência
Quando em um instante de consciência
Uma lágrima lhe correu em seu rosto
Do homem colheria seu sorriso acanhado
Que percebeu na amada sua lembrança
Onde mesmo sem ter, teve a esperança
De poder dizer o quanto a tinha amado
INSTANTES
Renate Emanuele
Instantes, somente um acaso, instantes
Nas horas de minha vida, a razão
A felicidade, momentos vibrantes
São os instantes da minha paixão
Foi neste quarto que instantes vivi
Ao seu lado que feliz me encontrei
Entre lençóis com você me envolvi
Instantes de ternura que passei
Instantes que uma fantasia gera
E que perfume e as lembranças encerra
Os dias, minhas noites; solidão
São só instantes desta aventura
Guardados em minh'alma sem censura
Que fazem pulsar ainda o coração
SOBRAS DE NATAL
Renate Emanuele
O mundo feliz, já tem passado o Natal
Nas lembranças lindos momentos desta data
Todos brincam a felicidade se exalta
Quanta paz e alegria de um prazer sem igual
Sofrido Natal, despojado de uma ceia
Na busca retira da rua tudo que resta
E destas sobras feito lixo faz sua festa
Menino pobre, solitário, que vagueia
Brinca com os enfeites e fitas do embrulho
Os papéis amontoados que viram entulho
Recolhe do lixo, por bagatela vende
Deste Natal, nenhuma boa recordação
Seu mundo é violento, é só decepção
Neste menino de rua... É Jesus vigente!
COMO É O AMOR?
Renate Emanuele
O amor! Quem poderá afirmar
qual seu formato para tatear?
O coração oval arredondado?
Ou corpo ferido ou deformado?
Que perfume reveste o amor?
Exala fragrância de que flor?
Malvas livres dos caminhos?
Ou rosa cheia de espinhos?
Tingido nas cores do arco-íris?
Os azuis e rosas dos Amarílis?
A cor rubro sangue encarnado?
No sol quente ou tudo nublado?
Na música agitada de estudantes?
Seria as valsas entre debutantes?
Qual seria seu som mais bonito?
Seria um frágil soluço espremido?
Creio o amor um sabor especial
Da renúncia de seu ego afinal
O doce sabor da fruta madura
O doce mel da paz, da ternura
Amor, mesmo sem ser amado
Amor inda que muito magoado
Esse amor que invade o peito
Poderá ser um amor perfeito

PRÓXIMO
BIOGRAFIA
|