Fé no amor
Rangel Alves da Costa

Se agradecendo o amor
invoco a deusa
que um querer qualquer
tornou realização
com mais fé ainda
imploro ao coração
que do amor demais
faça o amor que baste
e que se baste na razão
para não ferir sentimentos
para não virar paixão
limitando o real e a ilusão
e o que eu pense ter
que seja meu
para que mais tarde
o que eu não tenha mais
porque é teu
não torne esse ser que se deu
um descrente de coração ateu.


Rangel Alves da Costa
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Poema do sacrifício


Trabalhador como ainda sou
sem ter que fazer na solidão
só faço o que manda a precisão
e por isso e mais
colho o barro na ribeira
procuro madeira na mata
garimpo a pedra disforme
repuxo o couro esticado
recolho o vidro e o bronze
preparo a fornalha e o cinzel
encho a bacia de água
recorto e ponteio pedaços
bato e amasso o inteiro
moldo e faço acabamento
depois coloco na luz do sol
debaixo reflito na lua
depois lavo na água corrente
depois olho e me alegro
depois digo enfim
que tudo na vida é trabalhoso
e não vale mais que doistões.


Rangel Alves da Costa
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Palavras à solidão


Senhora da vida
senhora do mundo
senhora dona dos outros
senhora dona de tudo
senhora dona de mim

Esqueceste as chaves
bem em cima da mesa
deixaste sem correntes
outras janelas e portas
porque és dona de tudo
e fostes abarcar de vez
uma palavra esquecida

Chegastes tarde
no exato momento
em que a palavra
levanta e fala:
atrás de ti vem a vida
o mundo, os outros e tudo
e se quiseres me tenha
para o teu último grito
pois não és mais nada!


Rangel Alves da Costa
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Cartinha de amor caboclo


Prosa e verso no tempo
refletindo o momento
no coração do menino
que faltava anel no dedo
mas sobrava sentimento

Foi num dia assim
olhando o céu estrelado
na ponta tremida do lápis
que disse tudo ao seu modo
ao seu amor amado
trabalhando as palavras
como se molda o barro
como se usa o cinzel
como se laça o destino
e ficou bonito que só
que ela leu e se encantou
quis sorrir e chorou
com letras dizendo assim

Se tira da flor o perfume
se tira da rosa o encanto
se tira da noite o lume 
se tira de tudo um tanto
e soma na tua beleza
me tira da solidão
me espanta dessa tristeza


Rangel Alves da Costa
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Poema da Humildade


Porque dizes que o mundo é teu
então vá e colha um coração
pois perdeste o sentimento por aí

E porque dizes que o mundo é teu
então corra e semeie a vida
porque a tua não é viver

E porque dizes que o mundo é teu
então apressaste para o encontro
pois a solidão te persegue

E porque dizes que o mundo é teu
então mostrai o que não tens
pois verá que te falta muito

E porque dizes que o mundo é teu
então usufrua desse todo ter
pois me alegra ter somente a Deus.



Rangel Alves da Costa
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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  27.08.2010  

  

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