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REINSTALAR
Pedro Du Bois
Reinstalo a vida
e a remeto ao final:
o mágico e o profeta
duelam crenças
a carta marcada
indica a morte
reinventada: vida
na sucessão
da hora
induzida
ao desconhecimento
máquina pensante
a vida se distancia
no espaço entre acreditar
e descobrir do truque
a artimanha: desvanecer
em barulhos diários de velhas
construções.
ESTAR
Pedro Du Bois
Não estou, minha senhora,
esperando o despropositado;
as vírgulas assinalam distanciamento;
estou, minha senhora, praticando atos
necessários ao encaminhamento
da história aos primórdios: cada fato
se reporta em cadeias
ao fato inicial; minha senhora,
o esforço finda o caminhar
e do início sinto
o ordenar das coisas;
ao primeiro soprar da vela
em chama, minha senhora,
o despertar do monstro
se apresenta: essa a espera
e a entrega.
SONHAR
Pedro Du Bois
Você presente
espantando o sono
com conversas vagas
sobre pessoas
não interessantes
ausenta o espírito
em pensamentos
e penetra
em sonhos:
o sonho materializa
cenas incongruentes
onde você é livre
expressão do ser.
AFASTAR
Pedro Du Bois
Recolhido em águas
protejo o corpo
dolente: seca
dedicação aos afazeres
diários: da natureza
me afasto em ciclos
e levo o ramo
colhido
enquanto criança.
Liame
entre estradas
não percorridas.
ESPAÇO
Pedro Du Bois
Sou o espaço em branco
das notícias: entrelinha
da página do jornal
o prego sapateando calos
pelos caminhos, a palma
da mão para cima: as linhas
se confundem em fama e fortuna
interrompendo a vida
no que for preciso
ao desígnio: esgarço o espaço
em tratativas ao som
e o sino badalado
em uníssono
revela o segredo:
sou do mundo o escuro
espaço entre vidas.

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