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A ÁGUA QUE ME SACIA
Pois seja nessa fonte de prazer
O mel que beberei de tua boca
E cada vez a sede não é pouca
Eternamente nela hei de beber!
Se tu te afastas me fechas a porta
De entrada, dessa fonte inesgotável,
E tua volta torna-se improvável
Abandonas a minha alma - já morta!
A busca pelo amor que me alimenta
Será indiscutivelmente, vã,
Porquanto a ilusão que a fomenta,
Há muito morreu em meu coração
Se apaga aquela luz no amanhã
Condeno-me a morrer na solidão!
(Milla Pereira)
A MORTE DE UM SORRISO!
O amor em mim se fez, forte e subitamente,
Arrebatando-me de forma inolvidável.
Deixou um rastro no silêncio, incomparável,
Entremeado de paixão, inconseqüente!
O coração, que sediava a solitude,
Abordado que foi por essa inclemência.
Entregou-se aquela paixão, por excelência,
Habitando em seu peito a inquietude.
E, insensato, assim como veio, partiu.
De nada me valeu o pranto derramado
Nem minhas súplicas de dor e desespero.
E essa freima me tomou, com tal esmero
Deixando-me sepultada em um passado
Que aquele meu sorriso nunca mais sorriu!
(Milla Pereira)
SONORIDADE DE UM SONETO!
Quisera alcançar minha harmonia
Entregar-me, sem laços e censura.
No que tange a minh’alma e apura
Meus versos, em frases de heresia.
Quisera mergulhar em calmaria
Das rimas que eu escrevo- a amargura.
E esta tristeza que me enclausura
Não fosse a mão que me asfixia!
Quisera das rimas – na simetria
Ressaltar, com ternura e fidalgia
A voz dos poetas em um dueto!
Quisera ser dos versos – alforria
Ter de todo poema a magia
E a sonoridade de um soneto!
(Milla Pereira)
ALUCINANTE!
O mesmo sol que banha a tua face
Espalha os seus raios em meu rosto
O beijo – que ainda sinto o gosto
Impede-me que outro caminho eu trace!
O mesmo ar que, ao longe, tu respiras
Eu bebo, como se fora o alento
Que vá abrandar o meu sofrimento
Que esta alma inquieta e delira.
Ainda hoje eu sinto tuas mãos
Em minha pele – que à noite procura
O mesmo desejo que me domina...
Não há como viver em abstenção
Do amor que me mantém nesta clausura
Á espera da paixão que me alucina!
(Milla Pereira)
DOCE VENENO
O sentimento que ora me arrebata
Que chega com a força de um vulcão
Tal qual ondas do mar em viração
Passeia em mim no tempo e hora exata!
Esse arrepio na pele, que dilata
Os poros em total sofreguidão,
Provoca em meu corpo a compulsão
De ter-te em urgência imediata!
Ah! Doce veneno que alimenta
A veia da paixão que sacramenta
Em nós este desejo invencível!
Que permite um enlevo, suscetível
A que me perca em ti e, compassível
Afasto-me do inferno que me tenta!
(Milla Pereira)

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