|

AO ENTARDECER
Ao entardecer,
a nostalgia me invade,
o sol devagar se põe,
o céu ganha novo tom,
preparando-se para a noite,
convidando-me para os sonhos,
sonhos multicoloridos,
repletos de suspiros,
de amores saudosos,
doces lembranças,
tornando o passado próximo,
sinto o seu cheiro,
quase o apalpo,
um desejo imenso,
da doce entrega.
Ao entardecer,
a esperança se renova,
com o mistério da noite,
tudo se torna possível,
tudo pode acontecer,
o sonho pode se realizar,
o amor fundir-se com o desejo,
tornando-se pleno,
a alma liberta,
fundi-se a outra,
nada mais existe,
sinto-me única no universo,
a lua discreta,
tudo assiste,
as estrelas brilham para nós.
Luconi
Publicado no Recanto das Letras em 22/11/2009
Código do texto: T1938523
A NOITE
Sou da noite, não sou do dia,
na noite me encontro,
na noite me acho,
na noite me entendo.
O dia com seu corre, corre,
com sua agitação,
não nos dá tempo para pensar,
não nos dá tempo para sermos nós.
A noite quando tudo se acalma,
quando o término do dia é anunciado,
ela nos invade aos poucos,
com o seu silêncio, com a sua paz.
A noite nos traz doces lembranças,
com as lembranças velhos amores,
com os amores uma saudade gostosa,
com a saudade uma nova esperança.
À noite é hora do aconchego,
é hora dos amantes,
é hora de nos encontrarmos com nós mesmos,
é hora de nos comungarmos com ELE.
A noite é o oásis do guerreiro cansado,
do dia a dia árido,
vazio de sentimentos,
repleto de materialismo.
A noite escura,
iluminada apenas pelas estrelas,
quando tudo pára,
quando tudo finda.
Muitos se perdem nas trevas,
nas trevas dos seus próprios pesadelos,
criados pelas suas mentes materialistas,
que ofuscam o brilho das estrelas.
A noite bela, linda, benção divina,
para todos que como eu,
procura nela o seu eu,
e através dela se revigora.
Luconi
Publicado no Recanto das Letras em 21/12/2008
Código do texto: T1347171
A TRISTEZA DA VIOLA
A viola em seu canto,
recorda do tempo saudoso,
quando o violeiro amoroso,
a tocava com encanto.
Com suave contato,
suas cordas vibravam,
o ritmo acelerando,
linda melodia entoavam.
O tom não importava,
ela sempre o acompanhava,
os sonhos realizavam,
em êxtase se projetavam.
Os interperes da vida,
o seu brilho ofuscaram,
as cordas endurecidas,
como antes já não vibram.
O violeiro não entende,
que o ritmo mudara,
que com toque diferente,
nova canção surgiria.
Então esquecida a deixa,
o violeiro insensível,
linda melodia não escuta,
dedilhada pela solidão.
Luconi
Publicado no Recanto das Letras em 16/02/2010
Código do texto: T2090185
ABASTECENDO O CELEIRO
Sentei-me a beira mar,
poetas diriam quanta beleza,
eu digo quanto mistério,
respiro fundo para senti-lo,
ele invade as minhas entranhas,
expulsa tudo o que não lhe pertence,
só sua presença permanece.
Entrego-me totalmente,
ouço apenas a canção do mar,
sinto a liberdade,
sinto seus mistérios,
sinto o seu poder,
sinto o dom da vida,
sinto que tudo posso.
Através destas águas benditas,
refrigero minha alma,
retorno ao meu eu,
de encontro ao meu mistério,
que não me é revelado,
mas que se faz presente,
explodindo em minha alma.
Então me sinto completa,
ali naquela imensidão,
a alma aprisionada se sente livre,
alimenta-se dos mistérios da criação,
inunda-se com o amor Dele,
abastece o celeiro da coragem,
obediente volta para a luta.
Luconi
Publicado no Recanto das Letras em 04/10/2009
Código do texto: T1847713
CONFORME O TAMANHO DA FÉ
Ah queria ter a fé,
igual a de Moisés,
para este mar se abrir,
e eu por ele passar.
Mas quem sou eu afinal,
para pedir tal coisa,
apenas um homem normal,
que sonha com terras distantes.
Moisés queria salvar seu povo,
levá-lo pra terras benditas,
eu quero encontrar o meu,
para encontrar aconchego.
Mas que mérito eu tenho,
nenhum já vou dizendo,
então não devo sonhar,
o exílio é merecido.
Sigo então o meu destino,
catando papelão e ferro,
se der sorte aluminio,
pra garantir meu sustento.
Acabo indo pro cais,
lá sempre tem latinha,
de repente alguém me chama,
navio cargueiro tem faxina.
Aceito na mesma hora,
o comandante se agrada,
de repente me contrata,
seu destino é a Terra Santa.
Eu nem acredito,
vou e ganho salário,
e lavando o convés,
faço conta de mil réis.
De repente lembro de Moisés,
para ele o mar se abriu,
eu trabalho no navio,
que me leva ao outro lado.
Bem pequena minha fé,
não faz o mar se abrir,
mas o Pai benevolente,
deu-me o trabalho de presente.
Começo a gargalhar,
deu um jeito de me atender,
dentro da minha limitação,
sem a Moisés ofender.
Só espero que ao chegar,
reconheça a Terra Santa,
não sendo eu mais um filho,
que a desonre com a ignorância.
Luconi
Publicado no Recanto das Letras em 22/05/2010
Código do texto: T2272276

PRÓXIMO
BIOGRAFIA
|