|

Desilusão
Cravei as unhas
E rompi com as fibras
Do meu coração velho e cansado
Já vivi tantas coisas e me deparei
Com outras tantas...
Que a tristeza aliou-se ao pranto
E na trajetória dessa vida mal vivida
Não sei ainda
Se há perspectivas
Sonhos e amores...
O que resta a um poeta
A não ser,
Tecer versos
P’ra aquecer a alma
E romper com a certidão
Essa falsa carta de alforria?

À noite no catre
De caneta em punho
em movimentos ritmados,
danço por folhas,
expresso cores,
sonhos e desejos.
É no leito da noite
que confidencio com o silêncio
um turbilhão de sentimentos,
à procura de respostas,
que por vezes, caem em profundo sono.
Entrego-me com ânsia às minhas poesias
e deixo nelas refletida o retrato de minha vida.
Talvez seja mesmo só escrevinhar,
mas não importa,
quero apenas desprender-me,
soltar o derradeiro
alento de minha imaginação.
Por isso ouso escrever:
um pouco de mim,
um pouco de tudo,
um pouco de nada...
Brincar de arte
Na moldura de tua face
Quisera eu pintar os teus olhos
De um esmalte azul cor do mar
Com meu pincel conter a tua lágrima
Desenhar a tua boca bem pequena
Que nem de uma criança
Com hálito de anjo e cheia de esperança
Pintar teus cabelos de dourado
E enchê-los de cacho
Depois de pronta a minha obra
Pendurá-la na parede do meu quarto
E sonhar acordada

Outrora
Em minhas retinas
Tão fatigadas retinas
Já não as vejo mais
Belas imagens
De uma vida gloriosa
O que vejo,
São sombras
Que teimam em escurecer
O meu dia!
É como se a noite
Chegasse mais cedo
Lançando-me às trevas
Devorando a minha alegria de viver.

Êxtase
Quando à noite ao meu lado tu deitas
E possuis o meu corpo com a ousadia de teus desejos
A ti me revelo audaz e felina, na busca do gozo perfeito
A minha carne é fresca e tua apetite voraz
O ritmo é frenético, intenso e gostoso
E neste instante, sou dona de ti
Amante do meu corpo e hospedeira de teu sexo
Bebo da tua saliva e sorvo lentamente teus beijos
Trôpega de êxtase me alimenta com teu leite
Encaixo-me em teu peito
E enfim,
Adormeço, iludida de amor

PRÓXIMO
BIOGRAFIA
|