APENAS UM SONETO
Lourdes Neves Cúrcio

Eu pensei em demonstrar o meu amor
Exprimi-lo nas estrofes de um poema
Transmiti-lo com eloquência e ardor
Permitir que a emoção fosse seu tema.

Eu pensei em expressar meu sentimento
Na cadência das sílabas em simetria
Flutuar por seus sonhos e pensamentos
Nas asas imaginárias da poesia.

Vi, porém, que o meu amor vai muito além
Dos quartetos e tercetos de um soneto
Tamanha a grandiosidade que ele tem!

Amor imenso como o meu não caberia
Na extensão de um só texto em verso ou prosa,
Pois descrevê-lo inteiro eu não conseguiria.



MÃE
Lourdes Neves Cúrcio

Para ti, mãe, escrevi este poema
É muito pouco para expressar o que sinto
Talvez seja um grão de areia no oceano
Não traduz todo o meu amor tão profundo
Diante do que para mim fostes no mundo!

A ti devo o que sou e o que tenho
Deste-me a vida, o carinho, a mão amiga
Hoje sei que estás de mim muito distante
Mas enquanto nesta vida eu existir
Tu estarás sempre comigo a cada instante!

Apesar de não poder mais te abraçar
Nem tuas mãos e teus cabelos afagar
Trarei sempre viva em mim tua lembrança
Pude estar ao teu lado desde criança
Em meu peito hás de sempre ter lugar!

Desde a tarde de domingo em que partistes
Dói a saudade e o meu ser se entristeceu
Dentro de mim deixastes imenso vazio
Que faz a lágrima brotar dos olhos meus
Mas reconforta-me, mãe, a grande certeza
De que no céu vives feliz junto de Deus!



  GAIVOTA
Lourdes Neves Cúrcio


Pudera eu cruzar o céu qual gaivota
Voar livre por todo esse imenso mar
Ver o reflexo do sol sobre essas águas
Pelo vento incerto me deixar levar!

Sem destino certamente eu voaria
Tendo o azul do céu e o mar como limite
Por uma aura de paz eu me envolveria
Para trás todo o lamento eu deixaria!

Pudera eu então de vez desvencilhar-me
De tudo aquilo que extenua o meu ser
Bater as asas num gesto de liberdade
Extravasar num grito a dor e a saudade!

Gaivota, com você quero voar
Bailar ao ritmo das ondas desse mar
Imitar a tua graciosidade
Desfrutar de toda a tua liberdade!

Ave marinha, eu teria a singeleza
Da cor branca que envolve tua plumagem
E ao pousar na areia eu adormeceria
Agraciada pela emoção da viagem!

Gaivota, abriga-me em tuas asas
Quero viver esse momento alucinante
Aventurar-me nesse azul exuberante
E contigo voar para bem distante!



APELO
Lourdes Neves Cúrcio


Aqui estou eu a cantar
Melíflua melodia
Esperando por você
Dia e noite, noite e dia...
                À névoa que vagueava
                Solicitei que buscasse você,
                Mas ela se equivocou
                E o céu azul buscou;
Ao céu azul eu pedi
Que me trouxesse você
Porém, ele trouxe uma nuvem
Sombraceira a me arrefecer;
                Supliquei então a nuvem
                Que fosse te procurar,
                Mas ela encontrou a chuva
                E a trouxe em seu lugar;
À chuva também implorei,
Mas ela não quis me atender
E apressada aqui chegando
Trouxe o vento e não você;
                Fiz um apelo ao vento,
                Mas vã foi minha esperança,
                Pois ele se distraiu
                E chegou com a brisa mansa.
Sozinha então continuei
Ecoando um eterno grito
Enquanto a brisa fagueira
Dissipava-se no infinito...



COMO UM PÁSSARO
Lourdes Neves Cúrcio

Como um pássaro eu queria
Voar livre neste instante
E encontrar o meu amor
Que está de mim tão distante!
Para longe ele se foi...
Deixando em meu peito a saudade
Que vai, paulatinamente,
Consumindo-me sem piedade!
Como um pássaro eu queria
Para bem longe voar
Ultrapassar o horizonte
E o meu amor encontrar!
Nesse encontro certamente
Apenas o azul do infinito
Haveria de testemunhar
O nosso amor tão bonito!
Como um pássaro eu queria
Entre as nuvens flutuar
Sobrevoar as montanhas
Nas águas do mar me espelhar!
Sem destino eu seguiria
Bailando ao sabor do vento
Dando guarida aos meus sonhos
E asas ao meu pensamento!
Quem sabe lá do outro lado
Estaria a me esperar
O amor que um dia partiu
Deixando-me triste a chorar!

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  23.03.2010  

  

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