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1.
há um ardor metálico
nas vielas que rompem da pele:
o espaço entre os espaços,
os dedos entre o limite dos dedos
por entre ou para além do
corpo, a voz sussurra
silêncios.
2.
(dedicado às vítimas da guerra entre a sérvia e a croácia)
entre as montanhas do velebit
e os lagos de plitvice ,
os maravilhosos lagos de água
silenciosa e pura
que tornam famosa toda a região
nordeste da croácia,
entre essas cordilheiras brancas,
que protegem a costa do vento,
e os lagos: imensos socalcos de
árvores e jardins, turistas e
jovens homens de negócios,
entre o cume do mundo
e o ar da chuva que consome plantas,
animais, seres do interior da terra
e dos livros de fantasmas de toda
a região norte,
entre esse mundo e o outro
mais perfeito,
muitas campas rasas escolhem
o seu lugar junto à estrada.
dizem: não houve dinheiro para fazer
um jazigo que pudesse celebrar
a vida daqueles que, em tempos,
trabalhavam de solo a solo e que
amavam, dançavam, riam e comiam
no ajuntamento das estrelas,
entre as montanhas do mundo mais
à frente e dos lagos que tocavam os
seus dedos.
dizem: não houve tempo para
celebrar e para regressar à
verdadeira génese das plantas
e dos solos. apenas
se amontoam crianças, velhos
e os homens que amavam e riam
e dormiam no colo dos pais.
Cordilheira da croácia
Famosos lagos situados na croácia
entre as montanhas do velebit e as
águas de plitvice, não há mais
lugares de memória.
3.
há um instante na sublimação
da argila
quando o corpo transmuta o
elemento-chão
há um instante quando a
agulha penetra a pele
e o dragão é a única verdade
do sangue
há um instante
[e há toda a eternidade]
quando o terreiro sagrado
se ilumina com os pés
das águias.
4.
são joão da cruz viu a mãe
estendendo-se, nua,
entre duas pedras maestras:
uma simbolizava o norte,
outra o sul
deus, vestido de ombros largos,
chorava enquanto o rio crescia.

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