Nosso Chão
Graça Campos



Nosso Chão
Pegadas, contos, canções
Poeira de poesias

Em silêncio acordado
Lendas e fantasias
O som do pisar descalço
Embala sabedoria
Nesse trilhar seguro

Nossos rastros de muitas andanças
Marcas calejadas de sustentação
Ecos encantos emoldurando montes
Viçoso mar de ondas verdejantes
Ar de poesia em suas esquinas
Cantam sabiás, gorjeiam bem- te- vis
E no chão esmeralda sinos cotovias
Rumam em festas, tradições sagradas...

Chão diverso, palco de criança a ensaiar os sonhos
Ouve os passos de seus seguidores
Berço dos pés a descobrir caminhos
Esses de lutas glórias brados que registram
Estrada real percurso da memória
Ideais e nobres conquistas
Contínuos caminhares



Abençoado chão
Há de sempre brotar
Meninos e meninas
Minas nos corações brotos de vida
Flor de esperança, liberdade, amor...

Autora: Graça Campos Belo Horizonte, 26/06/2009.

POESIA

Asas rasas de todas as cores
Oásis

Espaços longínquos de versos interiores
Vozes sutis rasgando o verbo
Verdades, vontades, Clamores...

Poesia é silêncio perfeito entre os amores
Olhar profundo, admirador,
Ouvido refinado, sensível colhedor
Sedento de justiça!

Poesia é mais...
É sopro divino colhido
Da pedra, do vento, da chuva
É dor que dói e faz bem!

O poeta é louco?

Sim, ouve estrelas, traduz ,reluz
Brinca o jogar de palavras
E acerta corações...

CAMPOS, Graça. Poema. POESIA


Caminheiro

Ei, Caminheiro!
És tu mesmo que
Escutas minha voz...
Estou aqui a te ver passar
A registrar a vida desfilando em nós...
Quanto és seguro ao pisar...
Estás a me guiar?

Escuta, Caminheiro!
És tão calado assim?
Fala! Quero ouvir a tua voz,
Que, sabiamente, já ressoa tal qual o teu andar...
Por onde andaste, deixaste fortes e silenciosas marcas.
És misterioso, veloz...
Mas tamanha é tua calma!

Oh, sereno caminheiro,
Segue teu trajeto
Que eu, sorrateira, vou seguindo o rastro
Para, então, saber que nesse teu silêncio,
Muito além de ouvir
Posso entender, mil palavras ler
E a esse encontro,
Vou chamar de PAZ! 
Ei, Caminheiro!...

Autora: Graça Campos Belo Horizonte, 23/ 03 / 08.


Ideais Sementes

Por ideais lanço-me destemida
Improviso no espaço um ensaio
E vôo livremente em via crucis
Na consciência e no compromisso


Aves pacíficas
Sementes letrificadas desprendem-se dos bicos,
Das penas, das garras
E se tornam férteis em solos
Coronários, cardíacos
Essenciais

Reflito, conjugo as funções do poder, sem julgo,
Pulsa-me o pulso, afogam-me emoções
As garras se agarram nos frutos que acordam
E fomentam saber em frêmito alçar

E ouço um gemido: a palavra é fogo
Que queima e devasta a natureza humana
Mas a palavra é bênção, projeção do caminhar
O vôo é livre
Asas se partem
O ideal é sonho, mais que sonhar

A semente é de “paz”
O adubo equilíbrio, se humanizado
Ser ave Voar Ser borboleta
Palavra semente envolvente

Há um suspiro alívio no peito que se abre
E inspira
Um degustar e digerir doces, amargos doces
Delícias e sofrimentos
Há dor e lamento
Na fronte o desejo
Ser fonte palavra e colher gestos letrados
Repletos, completos, despertos voados
No bico, nas penas, nas garras da simples leveza do entendimento...

Graça Campos
Belo Horizonte, 01/06/2009.
CAMPOS, Graça. Poema. IDEAIS SEMENTES




Flores Azuis


Meigas azuladas flores
Manjar aos olhos
Pestanejos em desfiladeiros
Ajardinados canteiros
Bordadas abordadas
As flores azuis harmoniosas
Celestes, violetas, turquesa

Lótus egípcios, miosótis,
Hortênsias em cachos
Verticalizadas
Cunhadas
Imaginadas
Nas janelas da alma,
Na palma da mão
Nos bilhetes apaixonados

Mimosas perfumadas
Da cor do céu,
Das ondas do mar
Colhidas, ofertadas
Em tom doce azulado...

CAMPOS, Graça. Poema. Flores Azuis

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  15.05.2012  

  

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