A Folha que Cai



Imaginem, sim imaginem,
O choro de uma folha a cair,
Como será que definem
O que aquela folha está a sentir.

É, afinal, um acto de separação,
Aquela folha foi ali criada,
Tem naquele ramo o seu irmão
Do qual se vê, agora, separada.

Ele continuará a sua vida
E ela será arrastada pelo chão,
Até ser espezinhada ou varrida.

Quanta angustia estará a sentir,
Quanto aperto no seu coração,
Daquela simples folha a cair.



Francis Raposo Ferreira



À Lareira


Comigo sentada à lareira,
Lindas histórias me contavas,
Ouvindo o crepitar da madeira
Enquanto do avô falavas.

Acabava por adormecer
No teu colo abençoado,
Hoje perdi teu viver,
Vivo como que abandonado.

Sento-me á lareira
E conto, um pouco à tua maneira,
Histórias que te ouvi contar. 

Meus filhos, teus bisnetos,
Sentam-se muito quietos
E deixam-se encantar.


Francis Raposo Ferreira





A Minha Bailarina


Braços bem elevados,
Mãos sobre a cabeça,
Olhares concentrados
Num misto de indiferença.

Alheia de tudo à volta,
No tronco um corpete,
Saia comprida e à solta,
A dança lhe ocupa a mente.

Um cinto começa a tinir,
Movimentam-se os braços
A musica faz-se ouvir,
Fico suspenso dos seus passos.

Um movimento de ancas
Me deixa maravilhado,
Parecem leves penas brancas.
È tão lindo o seu bailado.

Um gesto de ventre sensual
Me deixa extasiado,
É linda a dança oriental.
Deixa qualquer um conquistado.

Não é uma dança qualquer,
Muito menos a bailarina,
Afinal é a minha mulher,
Num sonho, lindo, de menina.


Francis Raposo Ferreira


A Força do Sorriso


É tão bom sorrir,
Sorrir é viver,
Sorrir é repartir,
Sorrir é crer.

Quando se ama alguém,
Não vemos mais ninguém,
Porque vendo mais além,
É ver esse mesmo alguém.

Sorri eternamente,
Mesmo ainda que rendida
A esse olhar de frente.
Sorrindo nunca serás vencida.


Francis RaposoFerreira



A minha vinda para a poesia



Como a vida está diferente,
Que aperto sinto no coração,
Conhecerei muita nova gente,
A quem pedirei a opinião.

Noutro tempo de caminhada
Passava horas sem fazer nada,
Escrevia só para mim,
Guardava tudo numa gaveta,
Agora tenho uma janela aberta
Onde divulgar o que escrevi.

Não me arrependo do registo,
Conhecerei muita gente interessante,
Normas formas de pensar avisto
E farei amizades. O mais importante.

Continuo a escrever sem parar,
A escrita me faz sonhar,
Faz-me sonhar e faz-me intervir,
Intervir nesta sociedade
Onde o ódio toma o lugar da amizade
E os homens se matam, sempre a sorrir.

Que outros não sou melhor,
Apenas desejo ser o que sou,
Na televisão vejo cenas de horror
E todos falam fingindo que nada se passou.

Embrenho-me neste meu pensar,
Sinto-me com vontade de continuar
A escrever os meus pensamentos,
Podem até não valer nada,
Mas por vezes, nestes momentos,
Revolta-se uma voz amordaçada.

Foi assim que aqui cheguei,
Nesta minha ânsia de participar,
Gente muito boa aqui avistei
E, eu, irei deixando-me ficar.

Devagarinho irei crescendo,
Os temores irão desaparecendo,
Foi como que uma porta aberta,
Onde tinha quem me aconselhar,
É por isso que sou professor e sou POETA.

Francis Raposo Ferreira

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  21.03.2010  

  

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