Sou, tão somente...
Estela Belém Pereira

Sou, tão somente, uma mulher,
Que pensa, que julga, que crê,
Na vida, na justiça, na fé,
Nos sentimentos, afectos,
Que tem defeitos, perfeitos!

Sou tão somente, eu,
Com tudo e com nada,
Vida apressada, corrida,
Solta de ideias pré-feitas,
Sem tabus ou falsidades,
Com algumas verdades,
E muitas interrogações!

Sou, tão somente, uma mulher!
Sou, tão somente, eu! 


01/SET/2004
Estela Belém


Poeta?


De poeta as palavras tenho,
Falta-me quiçá o engenho,
Escrevinho por amor à arte,
Que é um talento à parte…

Palavras são como armas,
Podem matar ou arrebatar,
São facas de dois gumes:
Escrita de guerra ou de amar.

Nas minhas deambulações,
Por vezes me falta o verbo
E, nessas horas abstractas,
Escrevo a pensar em razões:

Na vida, nos outros, em mim,
Na sociedade e motivos afim,
Vou desenhando as ideias,
Num emaranhado fio de teias.

Poder passar a mensagem,
De uma qualquer abordagem,
É o ensejo de todo o poeta,
Que idealiza a forma concreta.

15/3/2005
Estela Belém


Confesso

Confesso que sou uma mulher,
Que tenho alguns direitos…
E com eles posso expressar-me
Sem ter medo de dizer o que penso.

Confesso que vivo intensamente,
Cada dia, cada momento…
E que a vida já me pregou partidas,
Mas sigo meu caminho em frente.

Confesso que a minha realização,
Não depende só de mim…
Mas do Mundo que me rodeia,
Esquecer não posso, quero intervir.

Confesso que procuro a felicidade
Sabendo que é uma utopia…
Mas se não seguir os meus sonhos,
Vejo a realidade ainda mais fria.

Confesso que sinto vontade de partir,
Quem sabe, poder descobrir…
A satisfação em qualquer outro local,
Mas logo que penso nisso, caio no real.

20.11.05
Estela Belém


Aquele Olhar 

Aquele olhar tão profundo e triste,
Olhar perdido, espelho da alma,
Que, naqueles olhos, transparece, 
Tão suave, tão doce, tão calmo...

Olhar assim, nunca antes tinha visto,
Triste, mas calmo, profundo, mas doce,
De um tom castanho, cor de mel, sentido,
Que espécie de tristeza, conterá ele?

Aquele olhar, transmite sensações,
Que são controversas, desde dor, pena,
Amor, saudade, desamor, que mais?
Sentimentos que se misturam e se desligam,

Para se unirem, num simples olhar,
Aquele olhar, que nos deixa atordoados,
Sem saber como agir ou reagir,
Se olhar, ou simplesmente sorrir.

Estela Belém
12/SET/2004


Solidão ou ficção?


Sinto a tua ausência
Nas longas noites frias,
Nas madrugadas vazias,
Nas auroras boreais.

Será solidão ou ficção?
Este sentir, esta agitação,
De sabor acre-doce, 
Que me destrói a razão.

Apodera-se-me de tal jeito,
Envolve-me e oprime-me,
Esvazia-me espírito e alma,
Num delírio que não acalma.

Alerta, olhos bem despertos,
Deitada, volto-me e revolto-me,
A voz da consciência censura,
Para me encher de amargura.

Inquietude de vida, degredo,
Falta de calor, de aconchego, 
Feita prisão, de um coração,
Bravio e deserto de emoção.

12/1/2005
Estela Belém

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  20.02.2010  

  

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