Independente

Edson Gonçalves Ferreira 

I
Sou eu o poeta das grécias de Minas Gerais
Onde a poesia agarrada de puro lirismo
Como flor brota das montanhas
Na boca de homens comuns como eu.

II
Sou eu o grego da poesia deste século
Marcado pela insensatez eletrônica
Mas que me comove pela humanidade judiada
Entre teclas e moedas de ouro.

III
Sou eu o que não tem vergonha de ser
O que não esconde as suas fraquezas
Mas faz delas seu cajado mais forte
Para saudar Aquele que é mais puro que eu
E me faz senhor das palavras e do mundo.

São Paulo, 07.09.07


Definição de amor
Edson Gonçalves Ferreira


Amor tem que ser assim
Macio e confortável como sapato velho

Amor tem que ser assim
Belo como uma inesquecível alvorada

Amor tem que ser assim
Doce como manga amarela ainda no pé

Amor tem que ser assim
Musical como o ronrom de gatos

Amor tem que ser assim
Cheiroso como um pão matinal

Amor assim é bom assim, amor!


Do livro “Cantiga para Anita” no prelo.
Div. Agosto/07



Inicial

Edson Gonçalves Ferreira


Quando estive no mosteiro,
E, ainda, carregava o lírio no corpo e na alma, eu não sabia
A santidade não reside no físico
Transcende mais, muito mais
Hoje, com meus pés atolados na terra
E o corpo suado de outro corpo, sei
Humanidade pura também santifica
Afinal, foi Deus quem nos criou
E como Ele soprou o barro
Sopro com minha poesia todo mundo
E arrebato todos para a Luz.


São Paulo, 08.09.07



Atravessado
Edson Gonçalves Ferreira


Minha alegria é igual 
Minha tristeza é igual
Minha fala é diferente
E minha sensibilidade muito maior
Tudo o que os outros não sentem, eu sinto
Acho que Deus me deu duas costelas a mais
Com a masculina, escrevo e falo duro e direto
Com a feminina, sou como as mulheres
Me descabelo todo, falo pelos cotovelos, sou pura emoção
E, depois, como homem, me culpo demais
Vivendo, assim, atravessado, meu Deus,
Eu já ganhei os céus, não?



Multiplicação
Edson Gonçalves Ferreira


Minha mãe tinha uma língua apocalíptica
Mãos boas pra cozinhar, lavar, plantar flores, semear amores
Olhar franco e santo como o de Maria
Talvez, por isso, assim como Jesus e os peixes
Eu aprendi a fazer milagres
Só que faço com palavras, tornando-as manjar
Saborosas para matar a fome
A fome de amar da humanidade.



Div. Setembro/09

 

PRÓXIMO

BIOGRAFIA

 

 

 

 

 

 

l Página Inicial l Índice l Livro de Visitas l

 

 

Copyright © 2006,Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores.
Todos os direitos reservados.

Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  24.01.2010  

  

Você é o visitante número
 
Counter
 

Webdesigner:  Sonia Orsiolli