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RESTO DE MIM
Diana Camargo - São Sepé - RS
Numa manhã de final de outono
Fria e chuvosa
Vejo tua indiferença...
Tua inquietude
Como a fugir da minha presença.
Meu coração, que em outras vezes,
Tanto te procurava,
E sempre se aconchegava no teu abraço...
Hoje está vazio.
Uma estranha sensação de indigência
Toma conta de mim...
Tudo ao redor parece não ter sentido.
Quero fugir desse lugar
E das lembranças que trazem de volta
Os momentos felizes que passamos juntos.
E nessa manhã fria e chuvosa
De final de outono
Vejo tua indiferença...
E o que restou de mim...
MORADA DA MINHA INFÂNCIA
Diana Camargo - São Sepé - RS
Altiva e majestosa
Com suas paredes brancas
Plantada aos pés do serro
Sob o olhar da Virgem Santa.
Foste palco de uma história
Tantos sonhos e quimeras
Abrigaste tantas vidas
Entre tantas primaveras.
Sempre muito hospitaleira
Aos que ali se achegavam
Muitos causos, muitos risos
À sombra da tua figueira.
Lembrança das brincadeiras
Aos poucos vão se apagando
Pois ainda muito cedo
Deixei o teu aconchego.
Hoje apenas na lembrança
De cada um de teus filhos
Foi tombada pelo tempo
Morada da minha infância.
Mas tua imagem tão clara
Não se apaga da memória
Vai transcender pelo tempo
Faz parte da nossa história.
INSTANTES
Diana Camargo - São Sepé - RS
Existe um tempo,
Pequeno momento,
Apenas instante,
Na vida da gente.
Num desses instantes,
Olhares se encantam,
Mãos que se tocam
Lábios se encontram.
Num outro instante
de glória pra alguém,
um ser se completa,
É uma vida que vem...
E esse momento,
Pequeno instante,
Na vida da gente
Se faz delirante.
Existe o momento
da grande vitória,
Superados os limites,
Entramos na história.
Num outro momento
Um tanto sentido,
Um grito, um gemido
e uma vida se vai...
Assim, a cada momento,
Pequenos instantes,
Traçamos caminhos
Seguindo adiante...
E vamos vivendo
A vida da gente.
DESENCANTO
Diana Camargo - São Sepé - RS
Desencantei-me das flores
Quando vi que tantos espinhos
Nos jardins espalhados
Sufocavam-lhes a beleza e as cores...
Desencantei-me das crianças
Quando vi que a violência
Impondo-lhes uma arma cruel
Apagava-lhes o sorriso e a inocência...
Desencantei-me dos jovens
Das lutas , das suas vivências
Quando vi que uma pedra
Esmagava-lhes a essência...
Desencantei-me do amor
Das juras e palavras mais doces...
Quando sinto que nada é eterno
E no tempo se perde o valor...
Enfim, estou na verdade
Pela vida, assim...
Não sei até quando
Desencantada de mim...
QUERIA TANTO...
Diana Camargo - São Sepé - RS
Ah, como eu queria...
Ser passarinho e poder voar.
Ser como nuvem e lá no céu pairar.
Ser uma estrela e poder brilhar.
Queria tanto...
Quem sabe assim tu poderias ver,
O quanto vale esse sentimento,
Que fica apenas no meu pensamento,
Fechado em mim, sem poder viver.
Ah, como eu queria...
Ser a canção pra poder dizer,
Ser as palavras certas do momento,
Estar, quem sabe, no teu pensamento
Por um instante ou pra sempre estar.
Ah, como eu queria...
Queria tanto...
Que houvesse um tempo
Só da verdade desse sentimento.
Tempo onde nada mais importaria
Só a alegria de poder te amar.

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