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NEGRO
Cléo Reis
Negra,
o teu leite é negro
O teu sangue ,
Os teus dentes são negros
Negra,
a tua sombra é negra
A tua fala, os teus carinhos
são negros
O teu Ventre é negro
O teu sono,
o teu trabalho é negro
Negra,
o teu suor, tua dor, tuas sementes...
Tudo é negro,
para quem não Vê
a Luz do Amor
RITORNELO DO AMOR –poeias- 1988
Centenário da Abolição
ALÉM
A Nelson R. Mandela
(1989)
A mais profunda dor
dói em mim
Dói em mim a dor do mundo
O mundo do branco /do negro
do rico / do pobre
Dói o mundo
sangrando as entranhas do desamor
“Diferenças” sociais
jorram sangue sempre vermelho!
Dói o mundo incansável
numa cegueira imensa
Ah! tão fácil seria praticar o amor !
Como o vôo das aves, ondas do mar...
Vida é liberdade, razão é igualdade
Mas a corrente do tempo e da justiça
ninguém conseguirá deter
Estou enclausurado
mas o amor não
E o Amor
está acima das convenções sociais,
o Amor está acima do
próprio homem
Do livro SOLIDÃO- 1990
dedicado a Nelson R. Mandela
Cléo Reis
SEIVA
QUERO SEGUIR O EXEMPLO DA ÁRVORE:
SOMBRA
FLORES
FRUTOS
SE DECEPADA, BROTA,
RENASCE, INSISTE :
OXIGÊNIO
CORES
ALIMENTO
SE MORTA FOR, PERSISTE :
BARCO
BERÇO
BANCO
PARA REPOUSAR A ESPERANÇA
do livro FLORESCER- poemas e reflexões
Cléo Reis
Escritora
Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto-SP
VERÃO VIVO
O sol forte bronzeou a juventude
na areia alheia ao mundo rude
O mar tentou curar corpos idosos
donos de olhares ainda esperançosos
A “ gata”, acha que todos olharam
as suas curvas de beleza ideal
O “gato”, tem certeza que inventaram
a musculação que o torna imortal
Plúmbeas nuvens surgiram para a elite,
indignada no seu veraneio
pela excursão do farofeiro
Não perceberam no verão vivo, de alma nua,
que o céu chorou : água da casa de pau-a-pique
E chorou o céu, p’ra banhar as crianças de rua

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