QUEM DERA, MÃE, LOCOMOTIVA
Clarisse Barata Sanches
1902-1998
18 de Janeiro de 2010


Minha mãe, recebe hoje esta missiva
Com flores das que tinha no quintal;
Hortenses muito azuis, cor ideal
Do tão bonito Céu que nos cativa!

Ai, quem me dera, mãe, locomotiva
Que me levasse a ti pelo Astral
Pra matar a Saudade fraternal
Que me domina e torna menos viva!

Será que tu me vês, quando estou triste
A meditar no dia que partiste
E me levaste a alma para Deus?

Mais um ano passou de escuridão,
E se me bate ainda o coração,
Eu já não sou daqui, mas lá dos Céus!



O AMOR É SEMPRE POUCO...
Clarisse Barata Sanches 


O Amor é sempre pouco e, aliás,
Há um somente em cada coração;
Mas se fôr repartido com o pão
De Deus, o mundo inteiro satisfaz!

O Amor é sempre pouco e nos apraz
Quando é fiel e prima de Cristão;
Tem este mais valor na provação,
Mas rareia por ser do mais capaz.

O Amor é sempre pouco e não desperta.
Há muito mais procura de que oferta,
Fruto duma insensível piedade!...

O Amor é sempre pouco em toda a parte,
Mas façamos que seja o ESTANDARTE,
O lema e o Brasão da Humanidade!

Clarisse Barata Sanches - Góis

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  04.02.2010  

  

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