TEU CANTO
Célia Paiva

Mãe há um pouco de ti em cada Canto
Relembrando os bons tempos de outrora
Quando ainda criança, com carinho,
Embalava- me a dizer: Não chora!

De ti ainda resta viva e forte
A imagem como se fora agora;
A voz que me cantava as cantigas
E me embalava a dizer: Não chora!

Penso em ti com saudade infinda
E às vezes te ouço me chamar lá fora.
Abraça-me e me leva ao colo
Embala-me e diz: Não chora!

Entre lembranças, recordações saudosas,
A vida me fez derramar mais pranto.
Mas ainda ouço tua voz que fala:
Não chora filho, que te amo tanto!

A tua voz é acalanto.
Consola-me e sigo o caminho.
Sei que meu filho um dia ouvirá meu canto
E saberá que não está sozinho.




NÃO TEM EXPLICAÇÃO
(Conversa com Jesus)
Célia Paiva


Não te conheço
Mas te amo!
Algo sem explicação...

Nunca ouvi tua voz...
Mas ela fala dentro
Do meu coração.

Sei que é meu amigo
Embora nunca
Tenha te visto.

Existe algo entre nós
Que entendo
Mas não explico.

Foi chegando devagarzinho,
Eu mal sabia andar.
Desde então o meu caminho
Sempre está a acompanhar.

Porque mereço este amor?
Isso não sei explicar.

Perguntei um dia o teu nome;
Não te ouvi responder.
Mas, quando do meu sofrimento,
Vieste me socorrer.

Senti o corpo mais leve,
Envolto em suave luz!
Percebi naquele momento,
Carregavas minha cruz.

Deduzi então que serias
Aquele que com amor conduz
No coração a humanidade
E dei-te um nome: JESUS!

11/2008



MAGIA
Célia Paiva


Eu vi...
Havia romance no ar!
Certa magia, energia
Que irradiava e fundia.

Eu vi...
A ternura espelhada
No toque de suas mãos
E na maneira de olhar.

Eu vi...
O desejo explodia
Como chama que ardia
Dentro de seus corações.

Vi tudo...
O romance a ternura;
Vi o desejo que emanava;
Vi, só não entendi
A força que os separava.


A MENINA E O BALANÇO
Célia Paiva


La vai o balanço
Pra lá e pra cá...
Lá vai o balanço...
Voando no ar...

A menina sorridente
Está animada...
O vento levanta
Sua saia rodada...

Cabelos cacheados,
Presos por presilhas;
Nos pés delicados
Leve sapatilha...

A face corada
Pela emoção;
Um misto de medo
E decisão.

O sorriso no rosto,
O brilho no olhar...
E as mãos cuidadosas
Do pai a empurrar.

Lá vai o balanço...
Pra lá e pra cá...
Sentada num banco
Eu fico a cismar...

Meu pensamento segue
O seu balanço
E a imaginação
Nos anos avanço...

E vejo a menina
Já moça, formada,...
Usando saltos altos.
_ Cadê a saia rodada?

Muito moderna,
Despreza as presilhas.
Os cabelos estão soltos...
_ Que maravilha!

Mas vive tão séria...
Não sorri como antes;
E as gargalhadas...?
Há! Isso não é elegante!

Estuda trabalha –
Sua vida a estressa-
Não tem tempo pra nada...
Está sempre com pressa.

Mas um dia há de parar
E remoer as lembranças;
Vai querer voltar no tempo
E ser de novo criança.

Lá vai o balanço...
Prá lá e pra cá
Meus olhos não cansam
De acompanhar...

SP/13/08/2007


SECA DO SERTÃO
Célia Paiva

Vi a terra em fogo,
Vi pedra no chão;
Vi a passarada
Voando em arribação.

Vi o sertanejo
De lata na cabeça
Buscando, sabe onde,
A água em meio à seca.

Vi a desgraceira
Daquela gente simples;
Vi o homem rude
Se entregar a Deus.

Sem um lamento,
Só a fé se eleva
No seu pedido
De socorro ao céu.

Resignado, triste,
Abatido sonha
Com um milagre, em vão.

Porque ele sabe
Que o seu destino
É viver à espera
Da chuva no sertão.

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  01.08.2010  

  

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