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SENTIMENTOS
Antônio de Pádua Elias de Sousa
A vida me ensinou,
Não mexer e muito menos brincar,
Com os sentimentos alheios.
A história conta que a muitos castigou.
Independente do tempo ou lugar.
Em sacrifício de vários meios.
Ódio, paixão ou amor.
Tristeza e felicidade.
Pois não temos como medir a reação.
Que oscila entre alegria e a dor.
Sendo pequena a nossa capacidade,
De entendermos a nossa própria razão.
Parece filosofia inútil e insana.
Mas analise seus atos com cuidado.
Pensando em seus detalhes ao máximo.
Pois é muito complexa a mente humana.
Pra não ofender nem deixar magoado.
Aquele a quem chama de próximo.
Isso não é um conselho.
Até porque não sou capacitado.
Falo por mim neste momento.
Hoje me interagi com espelho.
Vendo um ser cheio e esvaziado.
Dotado de qualquer sentimento.
21/07/10
Formiga – MG
SILHUETA
Antônio de Pádua Elias de Sousa
Com a discrição de um olhar indiscreto,
Sem, contudo, poder chegar perto.
Pude ver com emoção,
A sombra de seu corpo em revelação.
A beleza de uma mulher menina,
Desenhando a parte feminina.
À mostra através de um box embaçado,
Sentindo o perigo do instinto ameaçado.
Muito difícil manter a postura,
Diante daquela conjuntura.
Confesso toda minha pequenez,
Mas é preciso manter a lucidez.
Fica então aqui em segredo,
É prudente ter medo.
Vou esperar pelo amanhã,
Quem sabe, age com a mente sã.
Bela silhueta não sai da lembrança,
Mas alimento ainda a esperança.
De que possas trazer-me a felicidade,
Na paixão de sua intimidade.
Mulher, a grande formosura,
Talhada como escultura.
A nudez com amor, sem pecado é rima,
Sendo de Deus a obra-prima.
13/07/10
Formiga – MG
DE AMANTES
Pedras sobre pedras.
Garimpadas a dois,
Ou retiradas do caminho.
Se problemas surgirem depois,
Irá requerer sabedoria e carinho.
Enfrentando quaisquer circunstâncias.
Nos percalços de cada dia.
Buscando a perfeita união,
Semeando paz e harmonia,
Alimentando o coração.
De quem de fora está,
Não importa o julgamento.
A solução está em conversar,
Fortalecendo o sentimento,
Conjugando o verbo amar.
Tornar sempre belo,
Lapidar a pedra bruta.
Em elogios constantes,
Com respeito e conduta,
Para o brilho de amantes.
12/01/10
Formiga – MG
“TIRANDO A VENDA”
Antônio de Pádua Elias de Sousa
Uma das filhas de Zeus e Têmis.
Para os Gregos Diké,
De olhos abertos, assim é.
Aos Romanos Iustitia,
De venda, a meu ver, não devia.
Vendada no séc. XVI por artistas alemães.
Que acredito não entender as questões.
Imparcialidade e igualdade aos homens sim.
Mas uma visão ampla aos atos e ações.
Atentando para os meios e os fins.
Não há em litígio, diferença entre as partes.
Sejam ricos, pobres, humildes ou poderosos.
Que me desculpe as artes!
Mas temos que enxergar para veredictos honrosos.
Tirando a venda eu entendo,
Para servir a todos em comum.
E estarem, os Magistrados, sempre vendo.
Tendo as sentenças erro algum.
Muitas vezes o justo difere do legal,
Então passamos à justiça a palavra final.
Num ato de confiança e entrega,
Logo, ela não pode ser cega.
Numa corrente moderna e futurista,
Na certeza de que a OAB acate e entenda.
Que me desculpe o artista!
Mas proponho que tirem a venda.
19/07/09
Formiga – MG

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