DOMINAÇÃO
Angela Togeiro

Minha vontade é beber
As letras do seu alfabeto pessoal,
Retirar dele as palavras e roubar do
Zodíaco o seu signo e
Ocultá-los no meu coração.

Soprar ao vento o meu amor,
E esvoaçar o seu sentimento,
Tornar palpável o momento de
Tocar sua alma
E uni-la à minha.

Teria então a felicidade,
O amor total me preenchendo,
Renegando sua vontade,
Refazendo sua personalidade,
Escondendo suas verdades,
Só para você ser eternamente meu.



JULGAMENTO
Angela Togeiro

Hoje, você será julgado
no Tribunal da Minha Vida:
o Cérebro será Promotor,
o Coração será Defensor,
o Orgulho Ferido, Juiz,
a Emoção será Relator.

Seu crime: TRAIR NOSSO AMOR.
os Jurados foram chamados:
a Paixão e a Cumplicidade,
Afinidade e Lealdade,
Companheirismo e Amizade,
por fim, a Atração Sexual.

As Testemunhas arroladas:
a Acusação trouxe o Ódio,
o Abandono, a dor e a Mágoa.
A Defesa esperta, a Saudade
e os Anos de Felicidade.
Todos com falas decoradas!

Mal o Julgamento começou,
o Ódio queria sua morte,
o Abandono, a sua prisão,
a Mágoa arrancar-lhe o coração.
E o Juiz sorria bem feliz
até que a sua defesa chegou:

Chorava-me a Felicidade,
apoiada pela Saudade.
Os jurados se comoveram,
os meus sentidos me traíram.
Sentença: PERDÃO! Exclamaram.
Caso encerrado: O AMOR VENCEU!



Si me quisiera

Angela Togeiro

Quería ser una estrella del mar
La cuna donde a soñar adormece,
Olas de espumas para le calmar,
Sí, muy lejos de mí, el día oscurece.

Quería ser un pájaro y cantar
Una canción al día que amanece
Ser un sonido suave y le acordar
Ser de su vida lo que le placiese.

Quería ser tejedora y me hacer
En estera que a su cuerpo tuviera;
Serle el alimento que va a comer.

Quería ser la mitad que pudiera
(pasión acunando un sueño de ser…)
Ser su todo inmortal… si me quisiera.


MULHER

Angela Togeiro

Sou mulher,
sou todas as mulheres:
sou Afrodite, Amélia, Angela, Eva, Diana, Joana, 
Madalena, Maria, Raquel, Rita, Sara, 
Salomé, Tereza, Vênus, Zênite...
Tenho na genética 
a herança dos tempos,
que me dá todos os nomes,
que me tira todos os nomes,
quando me desdobro em outra mulher.
Nasci em todas as raças,
tenho todas as cores puras e miscigenadas.
Pratico todos os credos.
Nasci em todos os cantos deste planeta.
Vivi em todas as eras.
Registrei meus gritos em todos os rincões,
mesmo se expulsos da alma
no mais profundo silêncio.
Vim de todos os lugares,
nasci em berço de ouro, em choupana,
na rua, nas matas, hospitais, templos...
Fui vestida, fui enrolada,
despida, jogada.
Gerada num útero que me amou,
ou num que me recusou.
Pouco importa, se rica ou pobre,
se esculpida no Belo ou no Feio,
preciso cumprir meu destino,
meu destino de Mulher.


O UIRAPURU

Angela Togeiro

Uirapuru canta,
só a brisa ousa passar:
floresta em silêncio.

As folhas já secas,
de muitos troncos roubados,
gemem no chão.

Folhas verdes choram,
há eco conjunto no ar,
canta a motosserra.

Matas se transformam...
hidrelétricas, cidades,
pastos, plantações... 

Se a fauna se extingue,
sem dispersão de sementes,
as matas raleiam.

Se a flora se vai
levará a fauna:
planeta deserto.

Sobrará o homem
com seus animais domésticos,
por certo, transgênicos.

Senda da extinção 
do ecossistema humano
de concreto e química.

Flauta o Uirapuru,
quatros acordes musicais,
consolando a vida!


Das fomes...

“quem tem fome, tem pressa” – sociólogo Betinho.

 

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  11.07.2010  

  

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