PODEM COLHER FLORES
Alexandrina Pereira



O que é o Mundo menos que um canteiro?
O que é a Vida menos que um jardim?
Podem colher as flores que há em mim
E levar o seu aroma ao Mundo inteiro.

Podem enfeitar os corações que choram
Dar alento e paz aos pobres esquecidos
Deserdados da sorte que apenas imploram
Que nas mãos de Deus sejam recebidos

A ponte da Vida é frágil, insegura
Pode quebrar ao mais leve movimento
Pode ruir e tudo cai num precipício

Mas quando a nossa alma é fiel e pura
Quando há um beijo que acalma o sofrimento
A Vida é linda, não é um sacrifício!





DENTRO DE NÓS

São de cristal
estes silêncios que eu ouvi
fragilidades 
do meu ser, do meu sentir.
Delapidei 
a transparência que há em mim
na fuga de um tempo que há-de vir.

Novas paisagens
onde o meu olhar descansa
Saudades vagas
porque o sonho é todo meu
Um mundo novo
num abraço de esperança
palavras elevadas ao céu.

Dentro de nós
há um lugar
um trevo branco em cada verso
Alma-poeta que murmura:
Grande é o Mundo e maior o Universo!


Alexandrina Pereira


SOLIDÃO

Na inutilidade das palavras
suicida-se o tempo.

Desfolham-se os sonhos
num coração 
de Outono
condenado à sede de uma vida
sem delitos.
Nem o bater das asas de uma ave
desperta o teu abandono.
És oração de vento 
feita em gritos.

Nem o ritual da vida 
que te prende os pés
é sussurro do que foste
. . .e do que és.

A cidade sobrevive 
no traço do teu corpo inerte
que bebe do copo do silêncio
arremessado à tua solidão
nesse banco de jardim
que é teu irmão.
E eu sinto-me vazia
tão vazia 
que me falta inspiração.


Alexandrina Pereira


SONHOS DISPERSOS


A Amizade quando é forte
é uma estrela.
O Amor quando é sentido
não tem fim.
Sinto que tudo isto está em mim
é dádiva que fiz por merecê-la.
Os caminhos por vezes 
são agrestes
esses caminhos donde venho
e onde toda a Poesia
que eu tenho
tem aroma a flores silvestres.
Trago flores amarelas 
nos meus braços.
Trago anéis de Sol para prender
todos os sonhos
que andam dispersos
são para vós todos os meus passos
trago amizade para oferecer
e a ternura que deixo nos meus versos.


Alexandrina Pereira



TALVEZ

Viaja por entre as árvores 
o silvo do vento.

Por entre a ramaria, 
um choro breve.

Talvez um pássaro…
Talvez o Inverno…
ou apenas uma folha…solta e leve.

O Sol escondeu-se há muito,
e a noite, 
presa ao corpo de uma estrela,
deixou entrar o sonho através dela.

Foi quando as mãos famintas 
se estenderam
como fios de tristeza
por entre os ramos agitados.

Já a noite caía 
sobre o mundo
quando os poetas 
se entristeceram
porque os sonhos lhes foram retirados.


Alexandrina Pereira

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  11.06.2010  

  

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