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RECEITA
ISABEL MIR
Em uma folha de papel
Separe algumas palavras
Junte verbos e substantivos
Tempere com adjetivos
Misture bem e sirva
Em porções bem dosadas
Decorando os versos
Com Métricas e rimas
Para temperar uma poesia
Alem dos ingredientes normais
Devemos acrescentar palavras
Como raras especiarias
Fazendo alusões e ilusões
De que esta poesia é única
Se a receita for de amor
Acrescente palavras quentes
Como dor e paixão
Se a receita for de ódio
Procure palavras que soem alto
Como louco desvairado
Se a poesia for de vida
Faça rimas com o sol
Se for de morte
Inclua um pouco da noite
Se quiser que ela seja engraçada
Melhor não escrever nada
Poesia que faz rir é piada

A FUGA
ISABEL MIR
Fujo de um país tão próximo
Lugar insano
Onde os pais matam seus filhos
Fujo desse país odioso
De filhos negam os pais
Esquecendo seu passado
Fujo desse país absurdo
Governado por leis
Algozes do futuro
Fujo desse país imoral
Onde o ouro é Deus
A virtude o mal
Fujo desse país sanguinário
Cárcere social
Predador de cidadãos
Fujo desse país do terror
Habitado por vampiros
Que sugam as esperanças
Fujo desse país enganador
Fingido de santo
Ornado de prantos
Fujo desse país patético
Que escraviza e amordaça
O povo dócil e submisso
Fujo desse país pela morte
Que governa impune
E atordoa a mente
Fujo desse país de pesadelo
Sonhando caminhos e saídas
Como uma cidadã perdida
Fujo desse país tão absurdo
Que domina as razões
E deserda as paixões
Fujo desse país tão surdo
Que não ouve os gritos
Do povo que o ama

Biografia
POESIAS
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