Florianópolis


Florianópolis, cidade cosmopolita
Aonde muitos vieram para ficar.
Tu és um paraíso dentro do mar
Com toda sua beleza infinita.

Ao atravessar a ponte Hercílio Luz,
Qualquer poeta começa rimar:
O encanto que se vê, além do mar,
Na magia da cidade que o seduz.

Em ti, à noite, ainda se ouve o gemido
Do poeta e seu “velho vento vagabundo”
Que de medo faz calar todo mundo.
E na ressaca, fica o mar enfurecido.

Em suas praias, encontra-se a rendeira
Para contar suas histórias com alegria
De quando, em alto mar, o marido saía
E ela, com bilro, rendava a semana inteira.

Da Praça XV todos querem conhecer
A frondosa árvore, onde aposentados
Contam aventuras de namorados
Que aqui, nela, vinham se esconder.

Floripa, tu és orgulho dos manezinhos
Que ainda usam sotaque açoriano...
Aqui, eu vivo; porque muito te amo.
E, em teu regaço, terei meus netinhos.

Então, não me chames de forasteira!...
Apesar de tão longe, vim para morar.
Em ti tenho o céu, a terra e o mar,
Além do orgulho de ser brasileira.

In: Centelhas de Amor, p.55.
Maria da Luz





Um anjo perdido

À noite, nota-se uma sombra desvairada,
Cabelos loiros, olhos azuis... Na retina?
Uma névoa se faz!... Não se vê mais nada
Além da dor que a pobre alma extermina.

A pele com pústulas, outrora, acetinada
Não tem aquela beleza que a todos fascina.
Agora, uma flor murcha que se vê jogada!
E jamais uma deusa que se fez menina...

O anjo de luzes coloridas perde seu valor.
O cavalheiro que o protegia já não existe.
E ninguém mais deseja de seu corpo a flor.

Sua carne é devorada sem desejos, no triste
Bramir do homem faminto que ri de sua dor.
E ela gargalha pela desgraça em que persiste.


Maria da Luz
Florianópolis, 1/42008

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  07.06.2009  

  

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