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Tarde.
Francisco de Assis Martins
Tarde turgenta, tórrida, indecisa,
Paralisada, esparsa, pardacenta...
Sem o frescor da trepidante brisa,
Com o tremendo estrondo da tormenta...
Não se define. É muda. Simboliza
Essas almas que a dor não movimenta,
Mas, num conflito imenso, paralisa
Em expressão de angústia turbulenta.
Nuvens sombrias, brônzeas, bordejando
Em fúnebre adejar, ao vento pando,
São as asas soturnas da aflição...
Almas turgentas do sofrer da vida
Mirai a perda de Mamãe definida;
- Velai, por nós, em vosso coração.
Ipu-Ceará
Poesia.
Francisco de Assis Martins
Passa bem aqui,
No meu jardim,
Na minha Rua – a POESIA.
Passa brilhando,
Na neblina seca e chorosa,
No cheiro de terra molhada,
Na chuva,
Nas cores do inverno nascente.
Quando a tarde finda,
E a noite se enfeita de nuvens cheias,
Que escondem o luar de março.
As jias e sapos cantam distantes.
Embalam-me os sonos e me desperta.
No dia seguinte,
Com o cantar das águas nas biqueiras,
Nas folhas dos jasmins-estrela,
No chão de pedras toscas do calçamento,
Até que as nuvens se esgarcem,
E revelem o azul límpido do céu.
O cantar da passarada na minha varanda
Ponteado pelo canto de flauta dos sabiás.
Substituem o canto choroso da chuva.
A poesia passa bem aqui, e...
Eu não sei dizê-la.
Ipu-Ceará

Dia de Feira.
Francisco de Assis Martins
Numa manhã luminosa,
Manhã sazonal,
Do oitão do Ipu,
Contemplo os dourados
Reflexos do sol,
Sobre as cristalinas águas
Do Riacho Ipuçaba.
Passarinhos atenuam o vôo,
E pousam sobre,
Os galhos de uma frondosa,
Cajazeira.
Salpicada de frutos.
A distância um ‘pregão’ anuncia
Tapioca, broas e
Manzape.
É...
O despertar da cidade.
Era sábado, dia de feira.
Ipu-Ceará

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