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Overdose
Cida Valadares
O teto balança e minha cabeça gira.
Eu?... bebo mais deste frenesi,
querendo a imagem que a mim não mira,
Mas...me embebeda , neste anseio de estar em ti.
E minhas veias dilatam a saudade,
Que sorvem de meu peito tresloucados sonhos...
Ignorando os vultos que só falsidade
murmuram aos meus ouvidos...em ecos risonhos.
E danço minhas dores, mesmo neste luto
Que pranteia liberdade para esta osmose
Pois, em querer apenas ser feliz o meu tributo...
Pago... Hei de paixão-amor , morrer... numa overdose.

Vestida Para Matar
Cida Valadares
Hoje resolvi matar!
Matar toda lembrança inútil, todo dia fútil
Toda presença funesta, toda contaminação
que escureceu-me o coração.
Parto do olhar... Olhar falso,
que nem um cadafalso enxergaria... para se enforcar.
Persigo o olhar traidor, que ao invés de alegria, só dor soube sobre em mim, infiltrar.
Miro as ilusões, as mentiras...
As máscaras todas massacro e piso transformando-as em poeira,
e soprando-as para o além.
Além de mim e de todos...
As paredes de resistência, a que meus olhos gritaram - Não!
Detonei-as sem piedade, com mil tiros de canhão.
Com tantos punhais jogados, sobre mim, apunhalados, refiz-me de meu torpor.
Joguei-os todos de volta, retirei-os do meu inverno, aticei-os...
para o inferno, na fogueira do horror.
Não perdoei as promessas... Essas assassinei!
Fria e cruelmente pois me fizeram demente.
Me esganaram, somente, querendo me sufocar.
E assim...serão os meus dias.
Quero ressuscitar.
Quero de volta a alegria e poder
de novo amar.
O amor até... já se anuncia...
E vou recebê-lo à porta.
Dizer-lhe ao que me importa e se quiser ficar...
Que fique!
Mas ao primeiro passo falso...
Não perde por esperar...
Pois eu de novo me acordarei,
De novo, vou detonar...
VESTIDA PARA MATAR!

Dor de Amor
Cida Valadares
Que dor é esta...?
que se aloja no meu peito,
E, sem nenhuma pressa,
Se apossa, deste jeito!
Creio que a levarei, eterna,
por onde for...
Pois adoeceu-me, cronicamente,
Esta dor de amor!
...dor que angustia e fere
de descomposta maneira.
Que arde, palpita, e se insere
Como cruel companheira.
A noite, amiga dos insones,
Faz de picadeiro o leito...
Traz à tona todas minhas fomes,
do amor que nunca me elegeu por preito.
Dor que corta qual lâmina de dois gumes
que fere, dilapida, estilhaça o coração
Se é que coração ainda existe, neste negrume,
Como pássaro, também foi preso num alçapão.
E a dor não se importa com meu ser
Transpõe todos os limites de minha vida
Faz tão bem o seu papel que é...doer,
E eu faço o meu, ainda comovida...
Em só amar ... por sentir... a dor doer!

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