PRESENTE DE NATAL
Aníbal Albuquerque


Seja este guardanapo de papel
o portador de versos delirantes.
É teu o meu amor, já o disse antes
e o confirmo na noite de Noel.


Já faz um ano, neste restaurante,
ganhei de ti um beijo — puro mel —
a ouvirmos o bolero de Ravel,
saboreando de um vinho inebriante.


Acordei numa cama de motel,
tu sorrindo tão linda, junto a mim,
e eu feliz por tê-la tido enfim.


Foi um belo presente do Noel,
talvez, um dos melhores recebidos,
mas, por certo, um dos mais bem merecidos.

(Publicado na Primeira antologia poética de A FIGUEIRA,
Florianópolis, 1993, p. 23)


AMOR OU AVENTURA?
Aníbal Albuquerque

Amei-te tanto, amor, amei-te tanto,
que só era feliz quando sorrias
e se então eu notasse que sofrias,
unia às tuas lágrimas o meu pranto.

Amei-te tanto, amor, naqueles dias,
ao som do violão a ouvir-te o canto,
rendido totalmente a teu encanto,
amando tua voz e as melodias.

Amei-te tanto, amor, amei-te tanto...
Julguei eterno aquele amor nascente,
mas nada nesta vida é permanente:

Amei-te tanto, amor, mas entretanto,
distante, aquele amor se me afigura
nada mais que uma simples aventura.

(Publicado na Primeira antologia poética de A FIGUEIRA,
Florianópolis, 1993, p. 24)



JOVEM NA CHUVA
(Com o sinal fechado)

Aníbal Albuquerque

Ela saltara a poça alegremente,
livros na mão, sorriso radiante,
Do grupo brincalhão, seguia adiante,
a liderar, altiva, aquela gente.

Rendido, sob olhar onipotente,
o poeta lamenta não ser Dante,
para tudo o que veja e sinta cante,
eternizando a bela adolescente.

Molhada, a blusa fina é transparente,
e os mamilos dos seios despontantes
despertam um desejo incontinente.

Mas nem sempre é possível ao vivente
alcançar bons momentos tão distantes:
ouço sons de buzinas estridentes.

Fortaleza, 1988

(4º lugar no III Concurso Nacional de Poesia GLAN,
Volta Redonda — RJ, 2008)



RAZÃO X EMOÇÃO
Signorelli 


Um sorriso bonito, um olhar demorado,
uma voz envolvente, uma pele macia...
O coração batendo em ritmo apressado,
dois corpos a dançar ao som da melodia.

A razão preveniu: "Não fique apaixonado!
Não sofra novamente o que tanto sofreu.
Não cometa de novo os erros do passado.
Não deixe reviver a chama que morreu."

Mas novo amor chegou, inesperadamente,
à mineira, com jeito, e o frágil peito meu,
por mais que resistisse, a emoção acolheu.

Se tudo neste mundo é mesmo inconsistente,
restou para o poeta a clara conclusão:
Não poderá ser firme o nosso coração.


14 set. 1991

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  01.11.2009  

  

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