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O
POETA
Maria Teresa Rosa Belo Araújo
Poeta é aquele que sente!
Não!...
Não aquilo que se vê!
Arranca, desnuda, escava!...
Olhos de poeta...
São profundos...
Alcançam vários mundos!
E depois!... p´ra quê?
Há quem não entenda...
Há quem não goste!...
Sim, sim, há quem não perceba!
Mas o poeta... pensa,
Escreve
E até se atreve
A acordar corações.
P´ra quê?...
Muitos estão dormentes...
Muitos são autistas!
Sim! Sim! Mas são "inteligentes"!...
O poeta vive,
E dá vida... à palavra
Segura o sentido!
Resolve proposições,
Tece encanto...
Discerne...
Demolindo raciocínios
E anulando ilusões!...

ESPAÇO VAZIO
(esperando o meu marido de uma viagem
ao Brasil)
Maria
Teresa Rosa Belo Araújo
Não vejo chegar a hora, nem o dia!...
Nem a hora, nem o dia, meu amor.
Ai se eu soubesse que tanto sofreria,
E que era tão grande a minha dor...
Podes crer, certamente iria a teu
lado,
Feliz de mãos dadas, no mesmo avião.
A tanta saudade não teria chegado,
Nem sentiria tanta solidão.
Está-se aproximando, enfim, a hora!
As semanas vazias já passaram,
Enquanto eu, a pensar e a versejar,
Sentia o tempo, a andar tão devagar,
Mas, as saudades, tão grandes,
findaram!
Eis que o desejado dia chegou agora.

SÉCULO XXI
Maria Teresa Rosa Belo Araújo
A pobre Humanidade,
À mercê de perigos,
Ameaçada de pressões,
Sofrimento e amputações...
VaI desfalecendo,
Vai morrendo...
Enquanto muitos, se divertem,
Em festivais
E outras coisas tais...
Porque os retardados,
Mentalmente atrasados,
Ainda não chegaram!
Ainda não tomaram posição
Nem se meteram no avião;
Acima deles,
Grandes cabeças...
Insufladas de serradura,
D'onde sairão ordens... e tortura!
Cabeças enormes,
Quase disformes,
Atafulhadas de livros...
Decorados na escola!
Tantos corações...
Em forma de pistola,
Apenas preocupados,
Com as suas pulsações!
Há gênios de injustiça...
Que não sofrem de preguiça!
Mas trabalham, trabalham...
Nem dormem,
Nem se cansam...
Mas esfarelam o mundo:
Fabricam órfãos,
Fabricam mutilados;
Semeiam viuvez,
Desventram a sensatez...
E é sangue, que lhes pinga das mãos...
Pobre Humanidade!
Concebida com tanto amor,
Rejeitou os sentimentos de valor,
Dados pelo Grande Criador.
Adoptou a desonra,
Aceitou a ganância,
Fez prevalecer a arrogância.
Desequilibrada...
Cambaleia, desvairada!
Sucedem-se violações
P´ra nada há soluções.
Perdeu o controlo...
A seu lado,
Mora o fantasma terror!
O horror!...
Que dor...
Não haver amor!
Em simultâneo com o progresso,
No século XXI,
É insuportável sentir,
Que te estão a destruir...

Biografia
POESIAS
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