Simbiose
José Carlos Saquetini



"A louca corrida do espermatozóide para fecundar
o óvulo é a perfeita simbiose da poesia e do riso!"

No princípio não havia luz
não sentia alegria,
havia apenas um tênue pulsar...
Um frágil princípio de vida!...
Não parecia saber o que viria a me tornar...
Era só um embrião do que viria a ser:
Advogado, poeta, palhaço, e louco!...
(Não necessariamente nesta ordem).

Todos os nutrientes espirituais estavam ali:
A justiça, a poesia, o riso, e a loucura...
Ainda no ventre de minha amada mãe,
eu me defendia, cantava, ria, e endoidecia,
claro que não ao meu mesmo tempo,
e não exatamente nesta ordem!...

Foi assim que principiei minha carreira,
advogando em causa própria,
pugnando pelo sagrado direito à vida...
A poesia estava no meu sentir
a graça estava naquele emaranhado de órgãos,
um autêntico hospício a encerrar tão ínfimo louco!

Ah, mas um dia haveria a libertação,
Afinal, eu não viria a ser um rebento?

Já podia sentir o que eu era:
Um lutador, romântico, alegre, e maluco,
(não obrigatoriamente nesta ordem),
pois ainda eu nem sabia o que era ordem!

Tudo o que precisava saber,
e saber precisava,
era o que o futuro me reservava,
e eu sabia sentindo,
sentia sabendo...

Defendia-me,
cantava,
gesticulava,
malucava...
Não exatamente nesta ordem...

Defendia-me por necessidade,
cantava então um canto mudo,
gesticulava a engraçada mímica da vida,
malucava só de viver naquele aconchegante,
mas inóspito lugar...

Era o tempo todo assim,
assim o tempo todo era,
a simbiose se formando,
antes mesmo do nascimento!

Se não sabiam,
saibam agora,
quando eu nasci,
era bacharel em direito,
em canto,
e alegria,
sem ter cursado faculdade,
sem ter colado grau,
sem saber ler e nem escrever,
sem nunca ter estado num circo!...

Talvez, e só talvez,
Por ter ficado encerrado,
no ventre de minha mãe,
naquele diminuto hospício,
onde ficara internado,
temporariamente
por ordem do Criador,
tal qual a lagarta no casulo,
para metamorfosear-se borboleta,
diplomei-me também em loucura,
com honra ao mérito!

Desabrochava
a mais linda simbiose,
e uma louca,
poética,
defensiva
criatura
disso tudo nascia...

Nasci
advogado
poeta
palhaço
louco...
Não exatamente
nesta ordem,
mas certamente,
todo em desordem...

O que realmente importa,
importa realmente o que?
Sei lá, sou louco mesmo...
Não é qualquer seqüência lógica,
afinal a loucura é ilógica,
e uma só Ordem emana
do Grande Advogado,
do Poeta Maior,
da Verdadeira Graça,
do Extravagante Benfeitor,
que criou o magnífico Universo!...

Sou uma miniatura Dele,
Dele uma miniatura sou,
sou o que sou,
uma síntese do amor perfeito,
da suprema loucura,
que assim se abrevia,
poeta e palhaço,
um artista da vida,
que faz sonhar,
que faz rir!...

O meu palco é o mundo,
o meu público é a humanidade...
A minha derradeira e única defesa?
O eterno direito de ser louco!!!


"Digam que não sou poeta, mas, nem ousem pensar que não sou louco!




TEUS LÁBIOS...
José Carlos Saquetini

Lembranças...
Doces lembranças...

Vultos,
Formas
Que julgo
Não mais
Conhecer...

Imagens
Embaçadas
Retratadas
No meu inconscilente
Recicladas
Na memória
Em um distante passado
Com o futuro no presente
Hoje mais do que ontem
Sei... E como sei,
Que sou muito mais amado!

Sou bem beijado
Pela tua boca louca...
Pelos teus lábios
Síntese do sonhar,
Sempre
Início do prazer!...

Amanhã,
Serei novamente amado?
Não sei...
Sonho apenas que serei!

O que são os teus lábios?
Penso que sei:
É a poesia do ser...
É a certeza do dar...
É a vontade do ter!

Sonhar!
Com tua boca,
Em ter os teus lábios
Sobre os meus...
Lábio-a-lábio...

Só de sonhar
Vibro e rio,
Rio e vibro,
Com o teu amor...
Com o ardor
Dos lábios teus!

José Carlos Saquetini

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  02.06.2009  

  

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