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A
MORADA DO ANJO
Marilú Santana
Dentro de mim mora um anjo
De múltipla personalidade
Dia e noite faz arranjos
Nos desvãos da realidade
É anjo boêmio bem garoto
Que dança e canta feliz
Que sempre ameaça maroto.
Fazer o que pensa e diz
É um anjo ranzinza e chato
Nas horas que faz o que pensa
Que ralha e quase insensato.
Impõe-se de forma intensa
É anjo arco-íris ambulante
Piscando nas luzes e cores
Em tudo fogoso e galante.
Na órbita dos seus amores
É anjo de muitas asas
Todas sem pena cotó...
Que luta e pisa em brasas
Pulando numa perna só.
Anjo que sonha em voar
Liberto como a cotovia
E quer nesse sonho cantar
A mais sublime melodia!
Anjo que pisca no escuro
No claro ainda ensombrece
Mas se exorciza do impuro
Nas velas acesas da prece
Anjo ainda fosco de terra
Fascinado no Céu que brilha
Que busca no acerto que erra
O rumo acertado da trilha
Maria Lúcia de A. Ferreira
(Marilú Santana)

FALANDO DE AMOR
Marilú Santana
Acusem-me de reles falante
Ou de um mero imitador
Do Amor maior sentimento
Um outro também já falou
Embora ninguém o sinta
Como Eu sinto o Amor!
Falo de verdades sentidas
Nos caminhos onde eu ando
Falo das muitas vidas vividas
Sabe Deus desde quando!!!
Abrindo e curando feridas
Pobre filho da luz abortando
Falo desse amor na trilha
Do peregrino indo à fonte
Aquela que é chama e guia
Que cobre todo o horizonte
Acena a todos com a alegria
Do mais exigente amante!
Falo Dele em muitas rimas
Sem simetria ou elegância
Do jeito que vem de cima
Inspirado em minha ânsia
De alma ainda menina
Mal saída da infância!
Falo Dele e não me canso
Já que é o alento Sagrado
Mas esse diamante eu alcanço
Só quando eu tiver lapidado
O chucro que hoje amanso
Com o chicote da verdade!
Recife-16/09/2005

Renitente
Marilú Santana
Descobri em minha ânsia incontida
O desejo vivo de fincar por esse chão
O singelo rastro dos versos d'uma vida
Sempre bordados no bordô dessa paixão
Não deponho do papel nem da grafite
Nem desisto de andar no meu Ser tão...
Inda pequeno, mas enorme nele existe
O mundo inteiro, dentro dele um
coração.
Enquanto houver um fio de voz um
balbucio
Um só pensamento caminhando na razão
Lá estará marcando o passo sem desvio
Um pequeno verso embalado na emoção
Quando eu me for levo e deixo na
memória
Do lusco-fusco pouco inverno muito
verão
Já quase no último mistério dessa
história
Darei minha voz ao eterno eco em
ovação...
Sem pena abrirei minhas asas ao solene
vento
Em plágio e carinho ao poeta da doce
oração...
Tecerei meu último verso na seda do
sentimento,
"Eu também sou passarinho, os outros
passarão”
Recife - 24/06/2006

Biografia
POESIAS
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