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Retomada
(Neusa Padovani Martins)
Demorei muito a compreender.
Mas enfim com clareza tudo entendi.
Não posso mais tudo poder.
Vivo hoje diferente de como sempre
vivi.
Quando cruzo meus braços sobre o
peito.
É como se me fechasse para o mundo.
Emudeço meu ser e esqueço meu jeito.
E permito assim ser jogada ao fundo.
E como se nada mais eu valesse.
Vejo que tentas sutilmente e me
entristece.
Mas, como se meu ser, enfim, morresse.
Sinto claramente que você só me
aborrece.
Preciso poder voltar a mim mesma.
Retornar ao meu caminho levada pelo
vento.
Preciso que você se cale e que me
deixe.
Que me esqueça na tênue linha do
tempo.

Armando
(Neusa Padovani Martins)
A arma do mando
O mando da arma
Armando a arma
O mando se armando
É tudo assim sempre
Armando somente
O mando sempre armando
A arma do mando.
Eu não mando! Tu mandas
No medo do mando
A arma do medo
Armando essa arma.
Eu não mando nesse tempo
Você manda! Eles mandam
Mas, até quando esse mando?
Do medo, da arma, do mando?
O mando do passado é presente
Será a arma do futuro
Por isso vou-me somente
Sem mando, sempre armando
Sendo dono do meu mando
Serei senhor do meu próprio tempo.

Biografia
POESIAS
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