Passagem
Marise Ribeiro

Senti que havia um pássaro
adormecido dentro de mim.
E as asas que eu não possuía
nasciam enfim.
Pena a pena, cor a cor.
Tornaram-se prontas.
Prontas para que?
Que pássaro seria eu?
Uma águia poderosa e caçadora,
espreitando suas presas
dos rochedos escarpados?
Ou um canário, com seu canto mavioso,
anunciando a primavera?
Ou mesmo, com as penas nascidas,
seria apenas uma ave que não voa?
Bati fraca e timidamente
minhas asas virgens.
Fui dominando meus medos...
Senti-me levitando, subindo, subindo...
Parei no ar e minhas asas,
como num frenesi,
batiam aceleradamente...
Foi então que descobri
que nasci um colibri!

04/04/05



Influência da Lua
Marise Ribeiro

Aquela mulher libertina,
que eu via da minha janela,
tinha um comportamento estranho,
que causava muita querela.

A luta que ela travava
era sempre desumana,
porque a lua influenciava
a sua vida mundana.

Na minguante ela retraía
a ânsia de querer caçar...
- Vida nova! ela dizia,
prometendo tudo mudar.

Cansava-se logo dos homens
e mudava a aparência...
Gastava tudo o que tinha
pra compensar sua carência.

Na nova, em prática ela colocava
sua versão "boa moça",
o dia todo a rezar,
levando uma vida insossa.

Um incauto pra casar,
era o que mais queria.
Até vestido de noiva
a modista lhe fazia.

Na crescente, tudo mudava...
Começava devagar,
a oferecer seu prazer
pra quem quisesse comprar.

Andava como uma trôpega,
a beber de bar em bar,
e quem bulisse com ela,
ai, meu Deus, que linguajar!

Na cheia, então, nem se fala,
ninguém a via cessar...
Uivava como uma loba,
pra mais um tolo lograr.


E assim ela ia vivendo,
a cada fase lunar...
Só não sei como vai ser
quando o eclipse chegar!

23/04/05

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  07.06.2009  

  

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