SONETO DA ACOMODAÇÃO
Margaret Pelicano

O leve cheiro do incenso irradiando o senso do divino
a alma enlevada aos céus subia,
buscando os socorros da espiritualidade
na capela azul, suave e aquática de Maria...

A Philia Physiqué: a amizade entre parentes;
E a Philia Zeiniqué: o amor da hospitalidade e o respeito aos outros,
com eros e ágape misturados numa combinação in/consequente,
fugiam do cheiro pungente da hipocrisia...

O peito ferido por adaga com fio gélido de adega
sofria as dores da solidão na igreja fria.
Enquanto as mãos contavam as contas do rosário...

a alma lânguida ao colo de Jesus se levantava
buscando Naquele Sol o frescor de uma nevasca
encolhidas as asas, acalmando o itinerário...

Brasília - 23/11/2006



O Todo é Mais que a Soma das Partes
Margaret Pelicano

O cabelo caindo como uma cascata de algas
As mãos parecidas a estrelas do mar
corpo que flutua como peixes esguios
deslizando pelo preamar;

Os pés delicados como a Madona da Lua
fazendo o quadril gingar ao luar
dentes que clareiam a noite mais escura,
esta a musa que esta a me esperar.

Sinto n'alma a ternura dos dias,
quando ela me dispensa atenção
a cirandar com um sorriso de pérolas...

este o meu sonho mais singelo
construído em dourado e amarelo
para acalmar as noites tortuosas e sem anelo.

Brasília, 25/11/2006


 
SONETO DO AMANHECER
Margaret Pelicano

Um amanhecer prenhe de escolhas,
Um sentimento estranho e agradável,
Um café cheirando a sol nascente;
Uma sensação de possibilidades;

Um olhar para o vôo da folha,
Um perceber-se acordado, corpo palpável,
Um sentir a vida...um pouco descrente,
Um reconhecer-se com pouca capacidade;

Um soneto que canta a derrocada humana,
Uma fraqueza nos ossos, músculos inflamados,
A velha chama que apaga a sanha;

Um trovão roncando sobre as cúpulas da cidade,
Acordando o ser que esfrega o rosto,
Para o choque da dura realidade!

Brasília, 22/11/2006
 



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 Margaret Pelicano

Numa grande e anônima intimidade
procurei você por toda a noite,
a lua e versejar raios por toda parte,
mostrou-me que nem sempre no amor se perdôa!

Multidões mutantes de energias instáveis,
circundaram-me o colo de tristeza,
nem a recordação do ninho de delicados pecados
fizeram-me esquecer a noite de duras correntezas....

Ardia a sirene de alerta do meu coração,
avisando que para o desamor não havia perdão,
mas, meu instinto insistia na tua busca, já tão tarde!

Feliz de quem perde e não sucumbe!
Levanta os ombros e enfrenta a crueldade!
Eu fiquei a morrer de solidão e de ciúme!

Brasília - 13/10/2006

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  07.06.2009  

  

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