Falando de Minha Pátria
Geraldo Magela


Ah, minha Pátria!
Quisera eu ser poeta, para exprimir em versos
toda a apoteose de encantamentos que seu seio encerra!
Gostaria de aprisionar em meus braços este céu etéreo
que lhe cobre o dorso, como se fora um prodigioso manto
azul, bordejado de estrelas!
Meu coração se estremece, à margem da noite,
quando estas pradarias se envaidecem, impregnadas de luar!
Depois... surge mais um dia em sua vida:
um dia que se ergue do horizonte continental,
e eu vejo você, minha Pátria:
voando para as oficinas,
correndo para as escolas,
movimentando as fábricas,
laboriosa no campo,
abrindo os mercados...
Você está sempre confiante, Brasil!
Você sabe o que faz! Você é forte, minha Pátria!
Você emergiu da América, tal qual um vulcão, que ao despedaçar
o cume do monte, espalha suas lavas ardentes pelas encostas;
só que, no seu caso, minha Pátria, são lavas de progresso,
para o nosso povo; ardentes de altruismo, de união, de força!
Brasil, você parte para o futuro; um futuro que lhe firmará
como Nação Indepentente; sua força não se quedará
ante a saga do inimigo, oculto através das fronteiras.
Sei bem, meu Brasil, que você deseja o melhor para mim,
mas, há presente mais marcante, que esta liberdade que
desfruto?
Você deixou-me o céu aberto para o pensamento;
a terra generosa para o trabalho;
meus irmãos de raça; minha língua natal;
eu posso ter a minha fé cristá...
"Onde encontrarei outra Natureza mais bela que esta?
Quem me mostrará pássaros mais belos que os que cantam em
suas matas??
Então, minha Pátria: é preciso que eu seja digno de você!
Que meus braços se somem aos milhões de outros braços
para elevarmos, bem alto, o seu pendão sagrado;
Que brados de glória retumbem de nossas bocas para enaltecer
seu nome, Brasil!
Hoje estamos com você. Ontem também estivemos.
Amanhã, faremos de seu nome, baluarte para nossas mais
sublimes aspirações e, se necessário, em sua defesa morrer,
pensando em liberdade e sob a magia heróica de seu
Hino Nacional.


Um Rio que Morre
Geraldo Magela


Piracicaba! Quem te fez Tão Negro?
Sinto-te acre, betumoso, impuro!
És mais um corpo d'onde a vida exala,
Não sei se ao homem, ou a ti, sensuro!


Já nem Selene te prateia, etérea,
teme o contágio de tua tristeza!
Mataste a fauna, repelindo a vida,
Chantagem torpe contra a natureza!


Não vejo o viço que te ornava as margens,
nem murmurarem ondas transparentes...
Já não deparo, em teu leito torvo,
brancos cristais, de prismas sorridentes!


Talvez me olhas, bravo, foribundo,
igual ao triste, remoendo as mágoas...
Tu não entendes o pensar daquele
que por insânia, poluíu-te as águas!


Que armas tens para lutar por ti?
Por certo nada, se és todo paz!
Não conhecias a maldade humana,
mas, o remorso, vem o tempo e traz!


Piracicaba! Oh, Piracicaba!
És desta terra, guardião da História!
De ver o índio, o ouro, o bandeirante,
não há quem possa usurpar-te a glória!


O homem quiz, e já te fez escravo...
No teu silêncio tentas compreender!
Atira ao mar toda essa carga infame,
Agita as ondas, prá depois morrer!

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  13.04.2009  

  

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