LÁGRIMA
MARIA LUCIA VICTOR

Sente,
apenas sente
essa lágrima quente,
semente de solidão,
gota de saudade.
Sente
esse meu sentir
nessa soledade
e diz o que sentes
na distância
que essa lágrima invade.
Sente
porque não falo,
apenas choro,
e sentirás que o amor
pode ser o que se sente
numa lágrima
que desagua de repente.




AMOR DE VERDADE
MARIA LUCIA VICTOR

Sorte há para alguns.
Para mim nem tanto.
Nesse vagar que é a vida
tive e tenho lutas doloridas.
Amores conheci
e de amor quase morri.
Devem ter valido a pena
esses encontros no tempo.
Deram a minha vida chama e alento.
Mas, os perdi e, agora,
pode ser tarde para acreditar
num amor de verdade.
Esse que não sei se existe,
porém, alguns com sorte alcançam.
Resta, então, minh'alma
e seus sonhos de eternidade.
Só ela sabe o que é sentir saudade
daquele amor que apenas eu conheci
por ter sido ele uma miragem
perdida, que falta de sorte,
nos azares da estiagem de meu existir,
que seca num deserto sem florir felicidade.


VIDA
MARIA LUCIA VICTOR

O dia virou noite
e a noite anuncia o dia.
Passa o tempo tão veloz,
o que será que prenuncia?
Talvez, a vida que escorre
à procura de alegria
que a chuva de ontem molhou e
deixou assim vazia.


SAUDADE
MARIA LUCIA VICTOR

Procuro
nas minúcias da memória,
nas fímbrias da madrugada,
nas tramas de nossa estória
e só encontro a partida,
a falta em mim mais sentida,
a falha jamais preenchida.
Não te vejo,
não te escuto,
sou apenas veleidade,
mesmo assim ainda procuro
para de ti estar perto,
ainda que esse sentir
somente seja saudade,
oásis do meu deserto.

Londrina - Paraná
31/10/2001.


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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  07.06.2009  

  

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