SOLAR PARA UM AMIGO
Leda Galvão de Avellar Pires
Ao meu grande amigo Cláudio Ferrari Righi

Porque és meu amigo, acho que mereces um solar:
frontispício branco, gregas as colunas
e amplos salões onde bailarão teus sonhos.
No teto, alto-relevos de estranha beleza
simbolizando o encanto de fadas e de musas.
Ladeando o solar, árvores frondosas
onde cantarão os pássaros que tu amas tanto.
Diante dele, canteiros de rosas,
rosas vermelhas para a que elegeste
como tua amante-amada e feliz rainha.
Para chegar até ao portal, a passarela
sob a qual passa um riacho, límpido berçário
de carpas que dançam um bailado lindo
enviando nos reflexos dourado-prateados,
mensagens de amor e de euforia.
É um solar de sonhos, sei, mas para um poeta
o sonho é mais que vida: é uma eterna melodia.



VULTOS AO ANOITECER
Leda Galvão de Avellar Pires

Foi assim... talvez não fosse bem a hora nem o lugar,
mas nossos lábios se uniram em beijo ardente.
Nossos corpos se enlaçaram, senti enternecer o seu olhar,
seu corpo fremia e seu suor brotava levemente...
O calor do desejo se espalhou como em prece
e se expandiu em ondas. Tu te tornaste predador e eu a caça
e os que passavam, fitavam-nos surpresos
ao verem nossos vultos através de uma vidraça.
Éramos amantes na gaiola do amor, então bem presos.
Mas... quando mais tarde fechamos as cortinas
suguei-te como a abelha ansiosa suga o mel
e, depois cansados, exaustos, lágrimas pequeninas
rolaram... sentindo-nos atores, cumprindo cada um o seu papel.

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Publicado: 02.09.2006 Última atualização:  03.06.2009  

  

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